O Roomba que promete uma eterna lua de mel

A iRobot lança o novo aspirador automático que, dizem, foi extensamente testado para reduzir ao máximo as frustrações na utilização doméstica - a todos os níveis para que foi feito.
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É o chamado "período de lua de mel": aquela fase em que os pequenos maus funcionamentos ou erros de conceção são perdoáveis ou até parece que lhes achamos graça. Aplica-se às relações entre pessoas, mas também àquilo que compramos - muito especialmente às tecnologias. Quantas vezes não desculpamos, pelo menos nas primeiras semanas, os bugs de um aparelho, na esperança de que a "coisa melhore..." (na realidade, quase nunca, convenhamos.)

Foi este o mote para a apresentação à imprensa, em Madrid, do Roomba J9+ Combo da iRobot. lançado ontem, - e da respetiva atualização de software, que chega agora à versão 7.0.

O novo aspirador resolve, desde logo, o maior problema que o seu antecessor tinha, o J7+ Combo, no que toca ao compromisso da empresa de robótica norte-americana de tentar retirar ao utilizador o maior número de tarefas domésticas possível: enche-se de água sozinho.

Isto consegue-se através de um reservatório de água de 3 litros (supostamente suficiente para um mês) que passa a existir na base de recarregamento, chamada Clean Base, e que inclui o saco de despejo para 60 dias. Desta forma, quando o J9+ sente que está sem água (ou quando está com o reservatório de lixo cheio ou com a bateria fraca), regressa à base para se reabastecer, retomando depois a atividade de limpeza.

A Clean Base, cujo design tem topo em pseudo-madeira para tentar (até consegue...) integrar-se como peça de decoração, inclui ainda espaço, na porta, para guardar mopas suplentes - de realçar que estas são laváveis e reutilizáveis - e sacos. Além disso, é muito mais silenciosa na operação de despejo do Roomba do que todas as suas antecessoras.

Convirá sublinhar que, dada a forma como o sistema de esfregona do iRobot funciona, ao contrário do que acontece com outros modelos da concorrência, não há aqui reservatório de água para lavar. É apenas necessário enchê-lo com água nova, para reabastecer o Roomba, no que é um sistema de facto muito higiénico.

Outra das evoluções que foram introduzidas no J9+ que, segundo nos garantiu Warren Fernandez, diretor de Produto da divisão de Cuidados de Pavimento da iRobot, é exclusiva desta linha por necessitar não apenas do novo software, como também da maior capacidade de processamento destes aparelhos, é aquilo a que a marca chama de Dirt Detective. Com este sistema, o robô passa a "aprender" - com a experiência de utilização, bem como através do histórico de quais as divisões que foram limpas mais recentemente, etc. - quais as áreas da casa que mais se sujam e, automaticamente, passa a priorizar onde deve ir limpar primeiro (seja aspirar ou lavar).

Além disso, a programação da ordem das divisões a limpar também foi melhorada. Apesar de o sistema da mopa da J9+Combo ser idêntico ao anterior (o J7+ que continua no mercado), em que a mopa recolhe para cima do aparelho, de forma a garantir que a esfregona molhada nunca toca nos tapetes ou alcatifas quando o aspirador passa de uma zona para outra, com o Dirt Detective o Roomba deixa a casa de banho sempre para último lugar, de modo que a qualquer sujidade que lá possa encontrar não se espalhe pela casa toda.

Segundo a iRobot - e temos de esperar até haver oportunidade de testar um destes aparelhos -, a capacidade de lavagem foi melhorada no J9+, mesmo em relação ao seu antecessor, o que é conseguido através de um processo de "limpeza inteligente": o robô programa automaticamente limpeza mais profunda em divisões com maior tráfego e uma limpeza mais ligeira em áreas menos exigentes, gerindo sozinho a libertação de maior ou menor quantidade de água, bem como se realiza uma ou duas passagens, conso- ante as áreas.

Outra função agora introduzida - esta que é também disponibilizada para os proprietários do J7+ - é designada SmartScrub: nas áreas da casa que precisam de limpeza mais profunda, seja cozinha, casa de banho ou hall, pode-se programar o Roomba para esfregar para a frente e para trás enquanto aplica pressão vertical, de forma a tentar retirar a sujidade mais entranhada. A iRobot refere que, assim, consegue uma limpeza (aspiração e lavagem) duas vezes mais profunda.

De resto, a iRobot mantém-se fiel ao seu método de mapeamento, afirmando ser mais prático do que aqueles que utilizam soluções como laser ou semelhantes para "ler" a casa, pois a esses "basta mudarmos as mobílias de sítio e o robô deixa de reconhecer as divisões, e é preciso recomeçar tudo outra vez", nas palavras de Warren Fernandez.

"A tecnologia avançada do iRobot OS regista um mapa preciso da casa sete vezes mais rápido e nomeia automaticamente as divisões", pode ler-se em comunicado, entretanto enviado às redações.

Além disso, o já conhecido sistema de reconhecimento de objetos comuns na casa faz com que o aspirador navegue por entre objetos como sapatos, fios, mochilas, roupas e até resíduos sólidos de animais de estimação sem dramas. São mais de 80 os objetos que a câmara - e a Inteligência Artificial - do aparelho consegue reconhecer, de forma a saber o que evitar (e o que de facto deve aspirar).

O presidente e cofundador da iRobot, Colin Angle, não tem dúvidas: o J9+ "é o robô aspirador e esfregador mais poderoso no mercado, hoje".

Em conversa com os jornalistas portugueses presentes na apresentação, em Madrid na semana passada, (ler mais neste texto relacionado), o CEO afirma que toda a conceção do aparelho resultou de extensa testagem: "Como podemos melhorá-lo? De que modo, no passado as coisas eram um pouco confusas, na nossa linha: se queria lavar, se queria aspirar... Agora colocámos tudo na série J9+, com o mais potente motor de vácuo e o sistema de esfregão inteligente".

"Depois, temos a base de recarga automática e como a abordámos para garantir que a doca permaneça limpa, fornece 30 dias de fluido de limpeza", destaca ainda. "Por fim a esta ideia de que podemos limpar cada quarto de forma diferente. Isto são automatismos para facilitar."

Tudo isto para que, tal como Warren Fernandez nos disse na apresentação, o utilizador não sinta a frustração de estar permanentemente a ir dar com a máquina enleada num fio elétrico; suja com cocó de cão; presa num canto sem conseguir sair....

É que, nas primeiras vezes podem até parecer idiossincrasias, caprichos engraçados, mas, passado um (curto) período de lua de mel, não vai haver paciência para aturar tal coisa. Mas, ao contrário dos casamentos, com o Roomba há pelo menos um período em que pode devolver, se não estiver satisfeito.

O jornalista viajou a convite da iRobot

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