O rapaz de 11 anos que entrevistou o Presidente

Estudante afro-americano da Florida andava desde Dezembro a tentar falar com Obama. Quando finalmente entrou na Casa Branca, perguntou-lhe se podia juntar batatas fritas na ementa da escola e se fazia "afundanços"
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A primeira vez que Damon Weaver apareceu na página de um jornal foi há menos de um ano, quando parou o candidato Joe Biden nos últimos meses da corrida para a Casa Branca e o convenceu a dar-lhe uma entrevista.

Desta vez, o aspirante a jornalista foi mais longe do que isso. Há uma semana, meteu a sua figura desengonçada de um rapaz de 11 anos dentro de um fato e o nó de um gravata e foi à Casa Branca entrevistar o Presidente Barack Obama em pessoa. O vídeo foi parar ao site YouTube e a história da vida do jornalista-estudante fez-se ouvir por toda a América.

Weaver vive com a mãe solteira em Pahokee a uns cem quilómetros de Miami, na Florida. Sobre a cidade com pouco mais de seis mil habitantes diz-se que tem três semáforos e duas pragas: o crime e a pobreza. Mas a origem não segurou este afro-americano, que coleccionou entrevistas com o antigo secretário de Estado Colin Powell e a filha do presidente assassinado John Kennedy, Caroline.

O Presidente era até há pouco o cromo em falta na sua caderneta. Desde que Obama foi eleito, a 4 de Novembro de 2008, Weaver começou a tratar de resolver o problema. Em Dezembro, o intrépido repórter mandou uma carta a pedir a Obama uma entrevista. Juntou-lhe uma nota da professora - não fossem pensar que era tudo uma brincadeira - e uma promessa para o convencer. Em troca de uma meia hora de respostas, ele arranjava ao Presidente um frente-a-frente no campo de basquetebol com Dwayne Wade estrela da NBA a jogar nos Miami Heat.

Obama, que nos meses antes de tomar posse andava atarefado como se governasse de verdade, não respondeu. Mas Weaver não desistiu. O apresentador do telejornal da escola básica Kathryn E. Cunningham foi ao programa de Oprah Winfrey contar a sua história.

Semanas depois foi a Washington no dia da tomada de posse, mas não conseguiu chegar sequer perto do Presidente. Em vez disso, falou com Diane Sawyer, do canal ABC, a quem propôs trocar uma das suas perguntas para o Presidente por uma nota de 20 dólares.

Sem que tenha havido notícia de pagamento, Weaver confessou que ia perguntar se Obama deixaria o Joe, o Canalizador - um figura da campanha eleitoral pelo lado dos republicanos - arranjar os canos da Casa Branca.

As personagens de campanha já vão longe - quem se lembrava do Joe? - e as perguntas mudaram. Na quinta-feira da semana passada, Weaver apareceu na Sala dos Diplomatas a perguntar a Obama outros assuntos mais sérios e mais urgentes.

Como: se o Presidente podia fazer com que os almoços na escola soubessem melhor. Cruzando a fronteira da neutralidade jornalística, Weaver arriscou sugerir manga e batatas fritas todos os dias.

A seguir perguntou a Obama se ele foi vítima dos mauzões quando andava na escola. O Presidente respondeu que era demasiado grande para a idade para se meterem com ele.

Weaver quis saber se o Presidente ia mesmo ter um frente-a-frente com Dwayne no campo de basquetebol e se fazia afundanços. À primeira pergunta, Obama disse que sim, à segunda, disse que não. "Afundava quando era mais novo, mas agora com quase 50 anos... "

Antes de sair, perguntou ao Presidente se passava a ser seu "amigo". Obama prometeu que sim.

Quando regressou a casa, Weaver foi recebido como um herói. A mãe, Regina Weaver, disse que não tinha palavras para descrever o sucedido. "Ele conseguiu muita coisa em tão pouco tempo e ainda é uma criança."

Weaver quer continuar a dar que falar e já sabe quem quer entrevistar agora: jogadores de futebol americano. A modalidade é, aliás, a sua preferida.

Em Janeiro, no programa de televisão de Larry King, Weaver contou que quando crescer quer ser jogador e jornalista ao mesmo tempo. "Posso participar no jogo e depois ir fazer a conferência de imprensa," disse, antes que lhe perguntassem como.

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