O que falta resolver nos últimos três dias de mercado

À margem da revolução no ataque leonino, Rafa e Mangala (ou outro central) são os focos de maior atenção. Mas há outras indefinições por resolver até quarta-feira
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Todos os anos as queixas de treinadores e dirigentes sucedem-se, mas o mercado de jogadores continua a fechar apenas no último dia do mês de agosto, provocando incertezas, "birras" e o atraso na integração de reforços e na colocação de "excedentários".

Comecemos pelo campeão nacional e veja-se como se tem arrastado a novela em torno de Rafa Silva. Existe acordo total entre Benfica e Sp. de Braga, por 16 milhões de euros por 90% do passe e também entre o clube da Luz e o jovem extremo. Falta no entanto que alguém se responsabilize pela comissão de 1,6 milhões reclamada pelo empresário António Araújo. Como o DN adiantou, António Salvador, presidente do Sp. Braga, definiu o dia de hoje como prazo-limite para que se chegue a um entendimento e ontem Rafa passou o dia em Lisboa à espera do desbloquear da situação - o que não tinha acontecido ainda até à hora de fecho desta edição.

O magriço António Simões, antigo jogador do Benfica, não está seguro de que Rafa venha a ser jogador encarnado e fica estupefacto "com a possibilidade de um negócio não ser feito unicamente devido a uma comissão, quando existe total acordo entre os clubes e o futebolista". Indefinida continua a situação do capitão Luisão. De acordo com António Simões, "o que quer que venha a ser decidido terá de ter em conta tudo o que o jogador já deu ao clube", confessando que gostaria de o ver terminar a carreira no Benfica e até abraçar novas funções. Outro central, Lindelöf, tem sido muito cobiçado pelo Chelsea e pelo PSG. O sueco tem uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros.

Com a iminente chegada de Rafa e mesmo descontando as prováveis saídas de Carcela e Benítez, o número de extremos ao serviço de Rui Vitória é impressionante: Rafa, Salvio, Carrillo, Cervi, Gonçalo Guedes e Zikvovic. "É gente a mais", concorda Simões, que não ficaria escandalizado se fossem Carrillo e/ou Salvio a sair.

"Todos os jogadores têm um preço. Por isso, se surgir uma proposta irrecusável, é natural que sejam negociados", sustenta o antigo internacional, que fecha as portas a mais entradas, satisfeito com as opções do atual plantel benfiquista.

O turbilhão leonino

No Sporting, os últimos dias de mercado prometem ficar marcados pelos acertos finais da revolução no ataque (ver peça principal) com a conclusão da saída de Slimani. Quem já entrou foram os avançados holandeses Bas Dost e Luc Castaignos (ambos ontem oficializado).

Fernando Nélson, defesa direito que jogou com a camisola do Sporting entre 1991 e 1996, aplaude os reforços holandeses, "dois avançados com provas dadas e oriundos de um campeonato de referência, como o alemão". Na sua opinião, no plantel às ordens de Jorge Jesus, "apenas ficará a faltar um substituto para João Mário, uma perda significativa para o clube, pois era um desequilibrador".

A vinda do brasileiro Douglas poderá ter retirado (ainda mais) espaço a Paulo Oliveira, algo que Nélson lamenta, pois considera--o "um central de grande qualidade". Jorge Jesus dispõe ainda de um excedente de opções para as alas do ataque: Bryan Ruiz, Gelson, Matheus, Carlos Mané, Iuri Medeiros e eventualmente Bruno César e até Joel Campbell. De acordo com Nélson, Medeiros e Mané deveriam ser emprestados, "para continuarem a evoluir jogando".

FC Porto espera Mangala

Carlos Azenha, antigo treinador adjunto de Jesualdo Ferreira no FC Porto, defende que "só falta um grande central para que se possa dizer que o plantel está fechado". Apreciador das qualidades do brasileiro Felipe, acha que o antigo jogador do Corinthians não está devidamente acompanhado pelos outros centrais (Marcano, Dyego Reyes e Chidozie). O regresso de Mangala, que ontem voltou a ser aventado, "seria uma excelente opção", diz. O holandês Martins Indi, outro central, foi afastado por Nuno Espírito Santo, e os dragões esperam a melhor oferta para venderem o seu passe.

O FC Porto ainda negoceia a saída do argelino Brahimi, que não jogou um único minuto nesta época e tem muito mercado, com o Everton na linha da frente. Carlos Azenha não duvida de que Espírito Santo fez muito bem ao prescindir de Brahimi, "um jogador muito individualista, que não pensa na equipa". Mas não concorda com a dispensa de Aboubakar (vai jogar no Besiktas), que "poderia ser muito útil no decorrer da temporada".

E se perdeu Rafa para o Benfica (ainda não certo), o FC Porto garantiu já o empréstimo de Diego Jota (At. Madrid). Uma grande aquisição e o FC Porto "até poderá sair a ganhar por não ter conseguido trazer o Rafa", diz Azenha.

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