O próximo Tiepolo em leilão é 'Vénus e o Tempo'

Publicado a
Atualizado a

O quadro do pintor Giovanni Battista Tiepolo, recém descoberto, que a leiloeira Leiria & Nascimento se prepara para levar a leilão, deve ser a obra intitulada Vénus e o Tempo, que o Ministério da Cultura tinha classificado nos anos 30, de um grupo de quatro do mesmo autor veneziano.

Entre 1910 e 1920 soube-se da colecção de Eduardo Pinto Basto, que integrava quatro pinturas a óleo sobre tela: Fuga para o Egipto, Deposição de Cristo no Túmulo (ou Enterro do Senhor), Triunfo de Anfitrite e Vénus e o Tempo. A autoria das telas foi atribuída a Giambattista Tiepolo (1696-1770) em 1922 por Carlos Bonvalot. As imagens ver-se-iam pela primeira vez na revista Bocetos y dibujos de Tiépolo do Arquivo Espanhol de Arte e Arqueologia, em 1929.

O Estado português arrolou as quatro pinturas em 1939, tal como o DN confirmou no Diário do Governo (I Série) de 4 de Julho, que menciona o título, dimensões e autoria.

Estas obras voltam a ser mencionadas em 1940, em Itália, num estudo de Giuseppe Fiocco, intitulado "Pintura Italiana de Setecentos em Portugal" sobre as obras de Eduardo Ferreira Pinto Basto. E é nesta data que é referida a quinta pintura, Repouso na Fuga para o Egipto, propriedade de Alice Ferreira Pinto Basto. A doacção de Fuga para o Egipto de Maria Helena Garcês Ferreira Pinto Basto ao Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) processa-se em 1946. A quinta pintura, não arrolada, foi vendida pela Christie's em 1975 por 90 mil dólares. Depois de várias exposições foi comprada em 1978 pela Staatsgalerie de Estugarda. Quanto a Triunfo de Anfitrite, também vendida na mesma leiloeira londrina em 1976 pertence, desde 1990, à Walpone Gallery de Londres.

Sessão pública em Março

A Deposição de Cristo no Túmulo adquirido pelo Ministério da Cultura por mais de 1,5 milhões de euros, já está nos serviços de restauro do MNAA, porque os especialistas querem aplicar-lhe outra moldura. "A que acompanha a obra foi inventada nos anos 50 e 60 como sendo a correcta para colocar em obras do século XVII. Fica ali muito mal. Vamos dar-lhe uma estética mais adequada", explicou ao DN o conservador do MNAA, José Alberto Seabra.

O outro quadro do pintor veneziano que se encontra no museu também "necessita de alguma limpeza no verniz e cuidados de conservação", acrescentou ao DN o director do museu, Paulo Henriques. Assim sendo, na sessão pública de apresentação da recente aquisição, que pode decorrer na primeira semana de Março, estarão as duas obras presentes e de cara lavada.

Para a especial circunstância - "há décadas que não entrava aqui uma obra assim", confessa Paulo Henriques - foi convidado o especialista em Tiepolo, Keith Christiansen. Após a apresentação formal, os dois quadros ficarão expostos a partir de 27 de Abril, o Dia dos Amigos do Museu, data que também influenciou a tutela na decisão da compra.|

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt