O príncipe a quem os belgas chamavam "desconhecido"

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O Rei Leopoldo III queria que a sua segunda família se mantivesse afastada da cena oficial. Alexandre, filho da segunda mulher do monarca, respeitou o desejo do pai ao ponto de na hora da sua morte ser lembrado pelos belgas como o "príncipe discreto" ou o "príncipe desconhecido",

A discrição não impediu Alexandre de dedicar a vida às causas solidárias e à defesa do Reino que nunca o olhou da mesma forma que ao seu meio-irmão, o Rei Alberto II. O príncipe foi um dos rostos do combate pela preservação do castelo de Argenteuil e pela construção de um memorial aos seus pais. Mas recentemente criou um fundo de ajuda que a cada ano apoiava uma causa diferente: entre 2005 e 2009, a sida, o cancro, os deficientes, a anorexia, a Alzheimer.

Alexandre nasceu a 18 de Julho de 1942 no Castelo de Laeken do casamento do Rei Leopoldo com Lilian Baels. Os príncipes Balduíno e Alberto e a princesa Josefina Carlota ficaram entusiasmados com o nascimento do (meio) irmão mais novo. Mas a felicidade durou pouco tempo.

Em Junho de 1944, a família real foi deportada para a Alemanha para só regressar à Bélgica seis anos depois,quando terminou a "questão real". O jovem príncipe passou os dez anos seguintes no Castelo de Laecken, onde viu nascer duas irmãs, as princesas Maria Cristina e Maria Esmeralda. Depois disso acompanhou o pai e Rei quando este se mudou para Argenteuil.

Em 1957, Alexandre foi sujeito a uma delicada cirurgia ao coração que o marcou a ele e à sua família.

O príncipe passou com distinção na Escola Real Militar antes de entrar na universidade para estudar Medicina. A ciência, particularmente a biologia, era uma paixão mas o que Alexandre queria realmente era tornar--se veterinário.

Terminados os estudos, partiu para o estrangeiro, mas nunca cortou completamente com as origens. Na sua casa em Rhode Saint Genèse continuou o mecenato que era tradição em Argenteuil. Em 1991 casou-se com a britânica Lea Wolman, mas manteve segredo sobre isso até 1998. O casal não deixou filhos.

Nos últimos anos, Alexandre participou em todas as grandes reuniões da família real. Segundo o palácio, o Rei Alberto II tinha uma relação muito próxima com o meio-irmão e ficou muito abalado quando ouviu a notícia da sua morte por uma embolia pulmonar.

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