Os democratas reagiram ontem ao discurso anual do Presidente americano sobre o estado da Nação criticando passagens relativas à política interna e à continuação da presença militar dos EUA no Iraque. As reacções internacionais vieram sobretudo dos países mais atacados por George W. Bush, nomeadamente do Irão, que respondeu em termos duros..O Presidente Bush dedicou o essencial do seu discurso a duas ideias a América está a vencer o combate contra a tirania no mundo, algo essencial para a segurança do país, e a economia encontra-se numa situação confortável, embora precise das iniciativas que a Casa Branca tem defendido, sobretudo devido ao desafio colocado pela segurança social..Numa passagem sobre o avanço da democracia, o Presidente elencou os suspeitos do costume, referindo-se aos países onde não há progressos políticos (a "outra metade" do mundo) Síria, Myanmar, Zimbabwe, Coreia do Norte e Irão. Teerão seria alvo de um violento ataque, mais à frente, tendo Bush afirmado que aquela nação era "refém de uma pequena elite clerical". O Governo iraniano, disse Bush, está a "desafiar o mundo com as suas ambições nucleares"..Tudo isto era mais ou menos esperado e os políticos democratas não perderam tempo a criticar as posições de Bush sobre estes assuntos. A oposição reagiu, dirigindo as suas críticas às passagens sobre economia, energia ou políticas sociais. "As escolhas são fracas e a gestão é má", sublinhou o Governador da Virgínia, Timothy Kaine, na resposta oficial dos democratas. Os dirigentes deste partido esforçaram-se por demonstrar que as ideias de Bush são retóricas. Que quando o Presidente falou de energia, referindo a forma como o país depende do petróleo, as boas intenções colidiam com posições passadas..O Presidente do Partido Democrata, Howard Dean, sublinhava isso, ao dizer que as frases sobre independência energética só seriam credíveis se Bush não tivesse "deixado o sector petrolífero escrever" a sua política para o sector. O senador democrata Harry Reid também pôs em causa a credibilidade do Presidente, nas referências sobre economia ou às tropas americanas no Iraque, pois na sua opinião o líder americano não explicara "porque razão nada fizera nestes cinco anos"..Segurança e Iraque.No aspecto político, a parte mais importante do discurso de Bush foi dedicada à segurança e à continuação da presença norte-americana no Iraque. O Presidente defendeu o Patriot Act (a lei em que se baseiam as decisões sobre vigilância de suspeitos de terrorismo) e criticou de forma áspera os que se opõem ao controverso programa de escutas telefónicas. Em relação ao Iraque, Bush foi claro tão cedo, não haverá retirada americana. A ideia forte foi a frase "não há paz na retirada". O uso frequente da palavra "liderança" e a menção de exemplos históricos de intervenções no exterior ou de combates políticos (Abraham Lincoln ou Martin Luther King) formaram o esqueleto da sua argumentação a favor da manutenção das forças americanas no Iraque. .No plano internacional, as omissões do discurso foram significativas. O Presidente Bush não se referiu às ambições nucleares da Coreia do Norte, mas fustigou as iranianas. "O mundo não pode permitir que o regime iraniano tenha acesso a armas nucleares", disse o Presidente.. O discurso mostra a preocupação da Casa Branca em relação à democratização do Médio Oriente, com elogios às eleições no Egipto e às reformas na Arábia Saudita. E deu avisos aos palestinianos "Os líderes do Hamas têm de reconhecer Israel, desarmar, rejeitar o terrorismo e trabalhar para uma paz durável". Para Bush, "as eleições são vitais, mas são apenas o princípio"..A reacção internacional mais importante veio do Irão, onde o Presidente Mahmoud Ahmadinejad lançou um ataque retórico ao discurso, considerando que o líder americano será em breve julgado no "tribunal dos povos". Ahmadinejad criticou "os que têm as mãos no sangue dos povos, que estão implicados em toda a parte em guerras e opressão, que iniciaram guerras na Ásia e África, matando gente aos milhões".