Com a aprovação esta semana do Orçamento do Estado para 2007 e da Lei das Finanças Regionais, depois da reforma da Segurança Social e da Lei das Finanças Locais, encerra-se um ciclo de grandes transformações, anunciadas pelo primeiro-ministro, logo em Maio de 2005. Na altura causaram grande comoção mas, ano e meio depois, não surgiu força contrária capaz de impedir que elas agora passem à prática. As novas regras nos diversos campos estão claras, com a possível excepção da reforma da justiça, cujo anúncio criou expectativas até agora não concretizadas. A governação passa, agora, para uma outra fase. Para além da maior tarefa de todas, que consiste em passar à prática a reestruturação dos serviços centrais do Estado, vai-se reduzindo o espaço para as grandes surpresas. É num previsível clima mais próprio do business as usual que se pode entender o anúncio de uma série de obras nas acessibilidades de Lisboa, que nem estão terminadas nem constituem propriamente novidade. Na conjuntura actual, a construção é o peso morto da economia nacional e continua a cair ao fim de seis anos de recuos sucessivos. Mas esta crise profunda e prolongada não rebentou devido a restrições orçamentais e consequentes apertos nas obras públicas. O boom na construção de habitações, conjugado com orçamentos expansivos na segunda metade da década de 90, criou taxas de crescimento de dois dígitos, insustentáveis em mercado interno tão estreito. Os críticos de lorde Keynes e dos seus remédios antidepressivos esquecem que ele advogava, igualmente, uma enérgica travagem das conjunturas sobreaquecidas pela acção restritiva dos governos. O que na prática não se faz, por razões eleitoralistas. Hoje, o dilema do Executivo é outro: como dar um sinal positivo, que reanime o sector da construção, quando o OE 2007 volta a cortar uns 500 milhões de euros no investimento público? Pelos vistos, chamar a atenção, com novo embrulho, para obras em curso e para os benefícios esperados lá para 2009...