Argentina. O fóssil apresenta a morfologia de um dinossauro primitivo, o crânio de um carnívoro, mas os dentes de um herbívoro. Os paleontólogos acreditam que foi o primeiro omnívoro.'Panphagia protos' significa o primeiro que come de tudo.Um metro e cinquenta desde o início da cabeça até à ponta da cauda e não mais de 30 centímetros de altura. Era assim o Panphagia protos, que acaba de se converter no mais antigo antecessor dos saurópodes, os gigantes dinossauros herbívoros de quatro patas. Os pequenos fósseis do "avô" dos maiores seres que alguma vez pisaram a Terra foram encontrados em 2006 no Parque Ischigualasto, na Argentina. ."Era um dia de muito sol e calor, como costumam ser todos os dias em Ischigualasto. A luz estava muito boa, o que ajudou ao meu trabalho. Decidir procurar coisas pequenas em vez de fazer a prospecção enquanto caminhava", recordou ao jornal argentino Clarín o paleontólogo Ricardo Martínez. A sua atenção recaiu num pequeno osso castanho: "Quanto reparei que era oco, sabia que tinha encontrado um dinossauro primitivo." .A surpresa dos investigadores do Museu de Ciências Naturais de San Juan foi total quando começaram a analisar a mandíbula, depois de terem descoberto 45% do esqueleto. "Vimos que apresentava a morfologia de um dinossauro primitivo, o crânio de um carnívoro, mas os dentes de um herbívoro", explicou Martínez. A descoberta, que resultou de uma expedição financiada por um canal de televisão japonês, o TV Tokio, foi revelada na revista científica PLoS ONE.."Os dentes eram o intermédio entre os carnívoros e os herbívoros, o que prova que se trata de um animal de evolução. Provavelmente tinha hábitos de omnívoro, com dentes preparados para moer vegetais ou carne", acrescentou Oscar Alcober, o director do museu, ao mesmo jornal..Daí o nome científico com que foi baptizado: Panphagia, que vem do grego e significa "que come de tudo", e protos, o primeiro. "Trata-se de um omnívoro, o elo que faltava entre os dinossauros carnívoros e os herbívoros gigantes quadrúpedes: uma peça muito importante da história dos dinossauros", indicou Alcober à AFP. .De acordo com os paleontólogos, o esqueleto do Panphagia mostrava vértebras do pescoço "bastante maiores" que o normal, o que demonstra que tinha começado o processo de crescimento e que se tratava de um dinossauro em "pleno processo de evolução". O fóssil, datado de há 228 milhões de anos, permite também precisar a origem dos saurópodes: "Antes, pensávamos que tinham aparecido há 205 milhões de anos e descobrimos agora que já existiam há 240 milhões", acrescentou Alcober. Até agora considerava-se o Saturnalia tupiniquim, descoberto no Brasil há uma década, o mais antigo antepassado dos saurópodes.."Descobrir este antepassado remoto dos saurópodes permite agora ver o filme completa", afirmou Alcober ao Clarín. "Assim podemos imaginar como este pequeno David do Triásico se converteu naqueles Golias do Cretácio e estudar a forma como animais pequenos evoluíram desde muito cedo até estes mega-herbívoros monstruosos que acabaram a consumir várias toneladas de vegetais por dia", acrescentou.