O passado e o futuro do rei que se segue

Eis o documentário para a grande ocasião. Transmitido pelos canais National Geographic e FOX Life, <em>Rei Carlos III: Na Primeira Pessoa </em>oferece uma visão mais humana do eterno príncipe que este sábado sobe ao trono britânico.
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Corria o ano de 1963 quando o adolescente Charles Philip Arthur George entrou num pub escocês e pediu um cherry brandy. Apanhado em flagrante "de litro" por um repórter de tabloide que por acaso ali se encontrava, o futuro Príncipe de Gales, com apenas 14 anos, mal podia imaginar que este viria a ser o seu primeiro escândalo em parangonas - depois do sucedido, a imprensa nunca mais o largou... Esta é uma das histórias recuperadas em Rei Carlos III: Na Primeira Pessoa, o documentário que será transmitido hoje (22h30), em simultâneo no National Geographic e na FOX Life, para assinalar o dia em que Charles Windsor é coroado Rei de Inglaterra, iniciando um novíssimo capítulo na monarquia britânica, com o grande peso de se seguir à muito amada Rainha Isabel II, sua mãe.

Este é então o momento de analisar o homem por trás da (desfavorável) narrativa mediática e tentar perceber que tipo de rei será Carlos III. Uma proposta televisiva do mesmo criador de Princesa Diana: Na Primeira Pessoa, Tom Jennings, que se apoia numa panóplia de materiais de arquivo, com algumas conversas inéditas e entrevistas esquecidas do próprio, lançando um novo ângulo sobre aquele que esteve sempre numa relação difícil com a imprensa.

Sem perder tempo, Rei Carlos III: Na Primeira Pessoa debruça-se logo à partida sobre esse tópico, dando conta da forma como foi escrutinado pelos media desde tenra idade, sem saber exatamente como reagir à pressão das câmaras. É ainda muito jovem quando o ouvimos aqui dizer que a sua natureza de pessoa privada não se coaduna com a performance pública. Uma condição que, por certo, lhe marcou a imagem ao longo dos anos, sobretudo depois do conto de fadas falhado com a princesa Diana.

A tese do documentário passa essencialmente por esta ideia de que o "verdadeiro" Carlos acabou por ser ofuscado pela história que dele criaram as penas afiadas e as objetivas sedentas. Nesse caso, que Carlos vamos (re)descobrir? Em traços largos, o rapaz que teve dificuldades em corresponder às expectativas do pai, o Duque de Edimburgo; o jovem ousado que, depois de se tornar Príncipe de Gales, ganhou algum calibre dentro da monarquia; o ativista que desde cedo se interessou pelas questões do ambiente (quando ainda não estavam nas agendas políticas), mas também pelas áreas da educação e arquitetura, sendo os aspetos da vida amorosa que, mais tarde, vieram fazer sombra a tudo o resto. Basta referir que em 1993, já depois do divórcio de Diana, a sua popularidade andava pelas ruas da amargura (4%)... Ah, e não esquecer o bom pai que afinal terá sido para William e Harry.

Com um friso cronológico que anda para trás e para a frente, a fim de nos situar nas datas relevantes, Rei Carlos III: Na Primeira Pessoa segue uma linha de coerência da figura que mostra como as entrelinhas do passado - não propriamente o passado recente - podem ajudar a ler o homem que agora se torna rei, aos 74 anos. Seis décadas depois do maldito brandy no pub escocês.

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