Portugal constrói-se com fazedores, inovadores, criativos e também unicórnios. Não aquelas figuras de brincar, que geralmente são de peluche e estão muito em voga entre os mais novos, mas aquelas que fazem crescer a economia, criam emprego qualificado, atraem capital nacional e estrangeiro e investem em pesquisa, desenvolvimento e inovação incremental e disruptiva. São empresas startups que começaram pequeninas, mas que já atingiram um valor de mais de mil milhões de dólares. Farfetch, Talkdesk, Outsystems, Feedzai, Remote e Sword Health são seis dessas empresas estrelas mundiais e made in Portugal. Todas nasceram cá, à exceção da Feedzai, com sede em Coimbra (de onde é natural o cofundador e CEO Nuno Sebastião), mas têm os escritórios centrais onde está o dinheiro, ou seja, no Reino Unido e em Nova Iorque..Pioneiro neste palco mundial, José Neves, fundador e CEO da Farfecth, concede uma entrevista ao Diário de Notícias, realizada no Porto. Geralmente prefere ficar longe dos holofotes e dos microfones, mas aceitou conversar a propósito desta startup, que se tornou um dos maiores sites de vendas de luxo do mundo, mas também acerca da Fundação que criou com a sua assinatura e que quer retribuir à sociedade o que esta lhe proporcionou. Uma cultura que é pouco portuguesa, mas muito anglo-saxónica..Nasceu no Porto, no ano da revolução de 1974, e é formado em Economia. Fez o caminho que tantos outros fizeram desde os bancos da universidade ao mundo do trabalho, onde começou na programação informática. Mas teve uma ideia, soube desenvolvê-la, seduzir investidores globais para dar vida a um sonho e conseguiu recrutar o talento certo - tarefa que confessa ser cada vez mais difícil face ao desequilíbrio entre a oferta e a procura e à subida vertiginosa dos salários na área tecnológica..A sua lição de vida inspira outros empreendedores a não desistirem dos seus projetos. E, desde que criou, há dois anos, a Fundação José Neves, quer ajudar a desenvolver a Educação e a formação em Portugal. Criou esta instituição juntamente com Carlos Oliveira e António Murta e os três têm lutado por um estado da nação na Educação, emprego e competências que possa auferir uma nota positiva no exame final global. Mas há um longo caminho de estudo por fazer e para o qual também é preciso um Estado que cumpra com a sua missão: a igualdade de oportunidades no acesso à escola e à universidade. Sem privado e Estado a rumar no mesmo sentido, não vamos lá.