É impreciso para Vítor Higgs, diretor gráfico adjunto do Diário de Notícias, o momento em que começou a desenhar. "Desde sempre", responde ao DN. O que faz está no trabalho diário que chega às mãos dos leitores do jornal ou nos desenhos que eram até há pouco desconhecidos. Esse seu outro lado artístico mostra-se a partir de hoje, às 21.30, na Fundação Marquês de Pombal, no Palácio dos Aciprestes, em Linda-a-Velha..Diálogos é o nome da exposição em que o designer gráfico mostra o seu trabalho, partilhando a galeria com José Augusto Coelho e Adelaide Monteiro..Aluno da escola de Artes Decorativas António Arroio e licenciado em Design Visual, Vítor Higgs, 54 anos, é adjunto de direção gráfica do Diário de Notícias há uma década, após passagens por títulos como A Bola ou pela secção de infografia da Sábado. Ao longa da sua carreira, passou também por agências de comunicação, foi professor no IADE durante mais de dez anos e ensinou no Colégio de Pina Manique - Casa Pia de Lisboa. Também colaborou com o Instituto Português de Cartografia e Cadastro, em Lisboa, no desenvolvimento da sua imagem..Para a exposição Diálogos, escolheu quatro das suas séries: Suspenso (apenas a carvão), Anjos (onde já usa a cor e que pode ser visto nesta página), Valquírias e Mozart Mágico, a partir da ópera Papageno, da qual escolheu apenas um desenho..Se em todas o desenho era fundamental, foi nos "anos 90" que começou a fazer obras para si mesmo e para os amigos, que só há "cinco, seis anos", calcula, foram reveladas ao público em mostras no Centro Cultural Casapiano e no Espaço Arte - Publicações Europa-América. "Foi o José Augusto Coelho que me desafiou", afirma ao DN. E hoje este amigo também expõe no Palácio dos Aciprestes..Antigo aluno de Belas Artes, José Augusto Coelho, 68 anos, natural do Vimioso, começou (como Vítor Higgs) na escola artística António Arroio, em Lisboa. Fez desenho técnico e colaborou com agências de publicidade até se aposentar. Dedica-se agora, a tempo inteiro, à pintura e à música..Adelaide Monteiro é a terceira artista cujo trabalho também pode ser visto na exposição patente na Fundação Marquês de Pombal até 1 de dezembro, integrada no programa de comemorações do 112.º aniversário da Casa de Trás-os--Montes e Alto Douro..Como José Augusto Coelho, Adelaide Monteiro é transmontana. Natural de Especiosa, Miranda do Douro, onde nasceu em 1949, foi professora de Contabilidade e Gestão e foi na escola Gama Barros, no Cacém, que começou por mostrar as suas pinturas nos anos 1990. Primeiro em cerâmica, depois a aguarela e óleo..No seu currículo, explica: "A par da horta biológica, a maior tela que com a natureza pinta, dedica à pintura e à escrita muito do seu tempo, passado entre a Especiosa natal e Sintra." Editou em 2010 o primeiro livro de poesia - Entre Antre Monas i Sbolácios, em mirandês, língua em que escreve. Seguiu-se, em 2015, o bilingue Gritos, Ecos e Silêncios.