O novo velho livro de Tolkien

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"Hador Cabeça Dourada era um senhor dos Edain e muito estimado pelos Eldar. Viveu, enquanto os seus dias duraram, sob o domínio de Fingolfin, que lhe deu vastas terras naquela região de Hithlum a que chamavam Dor-lómin." Assim começa Os Filhos de Húrin, o novo livro póstumo de JRR Tolkien, que é hoje editado em todo o mundo, Portugal inclusive (Publicações Europa-América), com meio milhão de exemplares de tiragem e tradução em 25 línguas.

A história passa-se na Primeira Era da Terra Média, mais de seis mil anos antes dos acontecimentos narrados em O Hobbit e O Senhor dos Anéis, ainda o maléfico Sauron era um mero lugar-tenente de Morgoth, o Inimigo Negro.

Morgoth, enfurecido por Húrin o ter desafiado e troçado dele, lança- -lhe uma maldição e envia Glaurung, um espírito demoníaco sob a forma de um dragão de fogo sem asas, perseguir os seus filhos, Túrin e a irmã Niënor. A obra tem capa e ilustrações do grande Alan Lee, um dos artistas que mais se têm dedicado à visualização gráfica do mundo tolkeniano.

Universo complexíssimo

Os Filhos de Húrin começou a ser escrito por Tolkien no final da segunda década do século XX. Deixado incompleto, só agora foi terminado por Christopher Tolkien, seu terceiro filho e único executor literário. Este trabalhou na obra nos últimos 30 anos, transformando numa narrativa coerente e autónoma, e "sem invenções editoriais", o que era um conjunto de fragmentos, variantes e esboços, entre os inúmeros manuscritos que o pai não concluiu.

Exactamente o que já havia feito em O Silmarillion, também publicado postumamente em 1977, em Contos Inacabados de Númenor e da Terra Média (1980) e The History of Middle-Earth (1983-1996), no seu incansável papel de organizador da obra inédita e inacabada do pai.

Tolkien começou a trabalhar na criação do complexíssimo universo da Terra Média em 1916 (ver caixa). Os Filhos de Húrin é, juntamente com as também incompletas Beren & Lúthien, e The Fall of Gondolin, uma das três principais Great Tales fundadoras do "corpus de lendas mais ou menos relacionadas, indo do grande e cosmogónico até ao nível do conto de fadas romântico -as maiores baseadas nas menores em contacto com a Terra, as menores indo buscar o esplendor aos vastos panos de fundo", com explicou o autor, numa carta de 1951, citada pelo filho no prefácio a Os Filhos de Húrin.

Ao percorrer o livro, o leitor fanático e erudito de Tolkien achá-lo-á familiar. Não é para admirar, já que grandes fragmentos da história de Húrin e dos seus filhos já foram publicados antes, surgindo incorporados em O Silmarillion, Contos Inacabados..., Lays of Beleriand , etc., e sendo referidos por personagens de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, que guardam memórias desses acontecimentos tremendos e distantes.

Como explicou Adam Tolkien, neto do escritor, "muitas partes do texto são essencialmente as mesmas que aparecem noutras obras (...) e outras serão novas, excepto para quem leu em detalhe a História da Terra Média". Os Filhos de Húrin é, assim, um texto "'novo', no sentido em que recompõe excertos já publicados e 'peças' inéditas até agora. É como um puzzle enfim completado".

Entretanto, um dos maiores fãs de Tolkien, o realizador neozelandês Peter Jackson, autor da trilogia O Senhor dos Anéis, continua em litígio com a New Line, produtora dos filmes. Pelo que parece estar definitivamente afastada qualquer possibilidade de vir a filmar O Hobbit.

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