O negócio da vida de Miguel Pais do Amaral (empresário): "Não tinha a meta de me tornar patrão dos media"

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Já não é um patrão dos media. Está a caminho de ser o maior editor em Portugal. Miguel Pais do Amaral garante que nunca teve qualquer desígnio de se tornar um patrão de media, como também não tem o objectivo de ser o maior editor livreiro.

"O meu objectivo nunca foi ser o maior em nada, o objectivo é desenvolver operações com qualidade, rentabilidade e viabilidade. É o que vamos tentar fazer", disse o empresário, que é considerado um dos portugueses mais ricos. Apesar das compras que tem feito recentemente no sector livreiro (Texto Editora, ASA, Caminho), o negócio que classifica como mais importante até agora na sua vida está nos media. A compra da TVI é a operação que Pais do Amaral aponta como a mais importante, mas acrescenta ainda mais dois negócios - a compra da produtora NBP e a operação com a Prisa.

"A compra da TVI foi o que permitiu à Media Capital transformar-se de um pequeno/médio grupo em um grande líder", afirmou ao DN, acrescentando também para esta enumeração o turn around (recuperação financeira) conseguida na estação de Queluz.

A entrada para estas nomeações da compra da NBP é justificada pelo empresário pelo facto de ter sido esta aquisição a permitir à TVI a conquista da liderança do mercado televisivo português. Fala da compra da NBP como "uma operação estratégica de crescimento" da Media Capital, na altura liderada pelo empresário.

Miguel Pais do Amaral garante: "São as três operações mais importantes que fiz e que têm características diferentes, mas todas foram de grande sucesso."

Em declarações ao DN, num ambiente descontraído das pistas de automóveis, Pais do Amaral não se coíbe de afirmar: "Fiz operações importantes." Foi também pela sua mão que a Media Capital entrou na Bolsa e foi pela sua mão que a Prisa entrou no capital da empresa, tendo acabado por ficar com a maioria do capital. A operação de venda à Prisa foi "choruda", mas Pais do Amaral recusa assumir-se como um investidor puramente financeiro. "Não sou um fundo, não tenho nenhuma obrigação de distribuir dinheiros pelos accionistas, invisto em oportunidades com perspectiva de médio e longo prazo." É com essa postura que diz estar no mercado livreiro. E quando vende uma posição é porque acredita que não pode extrair mais valor do negócio e as oportunidades passam a ser limitadas. É assim que justifica a venda da Media Capital, o seu crescimento estava limitado.

São negócios mal sucedidos? "Já fiz vários negócios ruinosos", mas escusa-se a nomeá-los. Só faz referência ao franchising que teve do Burger King, já que o falhanço da cadeia de fast food em Portugal foi tornado público. "Correu mal. Foi desastroso." A alguns anos de distância, Pais do Amaral assume que foi claramente um caso de falha de gestão, mas acrescenta: "Não tinha a experiência que tenho hoje. Não quer dizer que não me corra mal hoje algum negócio, mas é mais difícil."

Os falhanços foram, no entanto, todos em pequenos negócios. O segredo é saber fechar ou sair na altura certa. O pragmatismo que é assumido por Pais do Amaral pode justificar a visão que se tem do empresário, um homem rígido com os seus negócios e bem sucedido.

O próprio diz que nunca mistura negócios com acções altruístas. "Se quero ajudar, ajudo, mas não por via dos negócios. Não misturo as coisas. Sou bastante rigoroso."|

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