O momento Yolanda na semana do adeus a Jane e Tony

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Wimbledon. Surpresa Vondrousova e um grande Alcaraz

Há um ano foi com o pulso engessado e a recuperar de uma lesão que Marketa Vondrousova assistiu à final de Wimbledon que ditou a derrota de Ons Jabeur face à cazaque Elena Rybakina. Agora, bastaram uma hora e 20 minutos para a tenista checa derrotar a repetente Jabeur e conquistar o seu primeiro Grand Slam. Aos 24 anos, Vondrousova tornou-se assim na primeira não cabeça de série a marcar presença numa final de Wimbledon na era Open (desde 1968) e a primeira depois da mítica Billie Jean King, em 1963. "O ténis é uma loucura", garantiu no final do jogo, enquanto a rival, em lágrimas, prometia não desistir de vencer o seu primeiro Grand Slam, depois de ter perdido três finais. Drama no court também não faltou no dia seguinte na final masculina, com o espanhol Carlos Alcaraz a vencer o sérvio Novak Djokovic em cinco set e após quase cinco horas de jogo. Aos 20 anos, Alcaraz confirmou-se como número 1 do mundo no "jogo mais difícil da sua vida" e impôs-se como uma das figuras da nova era do ténis pós-Federer-Nadal-Djokovic.

Adieu, Jane Birkin. Morreu a inglesa mais francesa

"Eu sei que é ilegal o que vou fazer. É ilegal mas vou fazê-lo", dizia Serge Gainsbourg no estúdio da TF1 num serão de 1984, antes de queimar uma nota de 500 francos em direto. Não sei se a memória que tenho do momento - quem como eu vivia na Suíça naquele início dos 80s via sempre os canais de televisão franceses - é da época ou das muitas vezes que as imagens foram repetidas, mas ficou na miúda que eu era o fascínio por aquela figura de voz arrastada e barba sempre de três dias. E o fascínio por Serge depressa alastrou a Jane. Jane Birkin, aquela que fora a sua companheira entre 1968 e 1980 mas que para sempre a ele ficaria associada. Do escândalo de Je t"Aime Moi non Plus ao ícone da moda, a inglesa mais francesa povoa o imaginário de todos com a sua elegância e voz sussurada. Liga-la a Serge, sobretudo no momento da sua morte, aos 76 anos, é injusto? Talvez. Jane foi muito. Por si própria. Cantora, atriz, fora recentemente o tema do filme da filha Charlotte Gainsbourg Jane por Charlotte no qual, como escreveu João Lopes no obituário que publicou no DN, "mãe e filha dialogam sob o signo de Gainsbourg". Adieu, Jane.

Ponte sob ataque, acordo morto e os preços a subir

Moscovo garante que uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas o anúncio de que não vai prolongar o prazo do acordo que permitia à Ucrânia a exportação de cereais através do Mar Negro apenas algumas horas depois de um ataque ter destruído - de novo - a ponte que liga a Crimeia ocupada à Rússia não será coincidência. Única ligação direta entre a península ocupada e a Rússia, a ponte de Kerch, rodoviária e ferroviária, já fora atacada em outubro, com Moscovo a acusar a Ucrânia de estar por detrás da explosão que na altura fez três mortos, o mesmo número de vítimas do mais recente ataque. Desta vez a ligação rodoviária reabriu parcialmente no dia seguinte e a ferroviária não terá sido afetada. Afetado vai ser o resto do mundo, que enfrentará o inevitável aumento dos preços dos alimentos provocados pelo fim do acordo. Sobretudo os mais pobres. É que se 44% das exportações chegavam a países considerados ricos, 725 milhões de toneladas chegaram através do Programa Alimentar Mundial a países necessitados.

Fogos e calor recorde: a caminho do julho mas quente de sempre

Incêndios em Espanha, Grécia, mas também no Canadá. Pequim a bater recordes de temperatura, tal como várias capitais europeias, com Roma a ver os termómetros subir acima dos 46 graus. Phoenix, no estado norte-americano do Arizona a estilhaçar um recorde com 49 anos ao registar o 19.º dia consecutivo com temperaturas acima de 43 graus. Estes são alguns exemplos da vaga de calor que tem sufocado todo o hemisfério norte, com o observatório do clima europeu Copernicus a confirmar que o mundo caminha para o mês de julho mais quente de sempre. Para quem ainda tem dúvidas sobre o impacto das alterações climáticas, esta é a prova de que elas estão aí. E ninguém está imune às consequências. O diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que "o calor extremo está a afetar duramente as pessoas menos capazes de lidar com consequências, como idosos, bebés e crianças, assim como os pobres e os sem-abrigo". Chegou a hora de agir. Antes que seja tarde demais.

Díaz vence debate e a foto que volta para assombrar Feijóo

Alberto Núñez Feijóo já tinha dito que não ia participar num debate que o líder do PP definiu como servindo para decidir quem será "o líder da oposição". Mas tal não impediu Yolanda Díaz e Pedro Sánchez de colocar Feijóo no centro da discussão ao tentar encostar Santiago Abascal e o seu Voz ao PP. O líder da extrema-direita recusou confirmar se exigirá entrar no governo caso a direita não consiga maioria. À esquerda, a líder do Sumar destacou-se na defesa do governo, de que é vice-primeira-ministra, e acabou por sair vencedora do embate. Terminado o debate, os rivais não perderam tempo em atacar Feijóo: depois de no domingo Díaz ter trazido o assunto à baila, foi Sánchez que agora veio sublinhar ser "inquietante" a amizade entre um dirigente político como o líder do PP e um narcotraficante. Em 2013 veio a público uma foto tirada em 1995 em que se vê Feijóo a apanhar banhos de sol no iate de Marcial Dorado, que seria detido em 2003 por tráfico de droga. Um velho fantasma que voltou agora para assombrar o fim de campanha antes das eleições deste domingo.

Estado da Nação. Um debate, duas nações

Quem assistiu ao debate parlamentar do Estado da Nação ficou com a sensação - ou mesmo com a certeza - que António Costa e a maioria absoluta do PS vivem num país enquanto toda a oposição - da direita à esquerda - vive noutro. Enquanto o primeiro-ministro puxou dos galões da economia, lembrando que "Portugal não estagnou, Portugal não entrou em recessão, Portugal não regressou à estagflação", pelo contrário, "teve no primeiro trimestre o terceiro maior crescimento da União Europeia". Mas os argumentos de Costa não convenceram a Oposição. O líder parlamentar do PSD, Joaquim Miranda Sarmento desafiou o PM a sair do "estado de negação", o líder do Chega, André Ventura denunciou a "degradação do espaço público", o liberal Rui Rocha acusou o governo de "falhar como garante da estabilidade" e, à esquerda, o BE falou em "mentira" e o PCP denunciou os "intoleráveis contrastes" na sociedade portuguesa, enquanto o PAN, talvez influenciada pela estreia de Barbie, acusou o PS de viver "num mundo cor-de-rosa". Conclusão: um debate, duas nações, mas poucas soluções à vista.

Tony Bennett morreu mas deixou-nos a sua voz de veludo

Começou a cantar ainda criança, serviu no exército americano na II Guerra Mundial, tendo participado nas operações em França e na Alemanha, onde libertou o campo de extermínio de Kaufering, mas, de volta aos EUA apostou mesmo numa carreira na música. Anthony Benedetto passava a chamar-se Tony Bennett encetando uma carreira digna dos seus ídolos Bing Crosby ou Frank Sinatra. Para a posteridade o crooner deixou êxitos como The Boulevard of broken hearts, Because of you ou Cold cold heart. Mas o seu maior êxito de sempre surgiria em 1962, com a balada I left my heart in San Francisco. Os anos 1960 e 1970 foram de travessia do deserto, com o mundo rendido ao pop/rock. Depois de uma depressão, a década de 1980 marca o regresso de Bennett. E nunca mais deixou de trabalhar até ao fim. Nos últimos anos o cantor soube mesmo reinventar-se ao lado de grandes nomes da música contemporânea como Amy Winehouse, Lady Gaga ou Diana Krall. Diagnosticado com Alzheimer em 2016, morreu agora aos 96 anos. Mas a sua voz de veludo continua connosco.

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