A Jimmy Choo, marca de calçado celebrizada internacionalmente por Sarah Jessica Parker na série americana Sexo e a Cidade, foi vendida ao grupo alemão Labelux, detentor dos perfumes Coty. Os pormenores do negócio desconhecem-se mas, segundo o New York Times, envolveram um valor próximo de 575 milhões de euros por uma marca cujas vendas líquidas, em 2010, ascenderam a 173 milhões de euros. Valores que levam à eterna questão: O que leva as mulheres a gostar e a gastar tanto em calçado de luxo?."O glamour e o prestígio" associados à marca, diz Filipa Pinto Coelho, responsável de comunicação da Fashion Clinic. Já Eduarda Abbondanza, responsável pela ModaLisboa, lembra que estas permitem a "projecção de uma imagem de sonho". Isto, claro, sem esquecer a paixão que os sapatos, por natureza, despertam no público feminino..No mundo do calçado de luxo, as mulheres suspiram ainda pelos sapatos de Manolo Blahnik e de Christian Louboutin. A Jimmy Choo foi criada há 15 anos pela mão da jornalista de moda da Vogue Tamara Mellon, que descobriu o designer no seu estúdio no East End, em Londres. .JáManolo Blahnik é considerado o "artesão das estrelas" e os seus sapatos classificados como "obras de arte". Cada colecção que lança não tem mais de 250 modelos, e cada par pode ir dos 400 aos 1200 euros. Sarah Jessica Parker tornou-o ainda mais famoso já que, sempre que estava deprimida - e estava muitas vezes -, não resistia a comprar uns Manolo..Já o criador francês famoso pelas solas vermelhas patenteadas e pelos saltos agulha vertiginosos parece ser o favorito das estrelas de Hollywood. Angelina Jolie, Nicole Kidman, Liv Tyler, Drew Barrymore, Victoria Beckham e Cameron Diaz são apenas algumas das celebridades que não resistem aos Louboutin, com preços que vão desde os 400 euros até aos 2200 euros. Em Portugal, a Fashion Clinic é a única cadeia onde é possível encontrar esta marca, a par da Jimmy Choo, das três linhas da Prada, da Nina Ricci e da Sérgio Rocci. Filipa Pinto Coelho reconhece que os sapatos "provocam sempre um fascínio especial nas mulheres", sendo dos produtos "mais procurados". "A durabilidade, a qualidade e exclusividade associadas às marcas" de topo são as características que as tornam mais valorizadas, diz..Sobre o glamour e o prestígio, Filipa Pinto Coelho adianta que "há quase um relacionamento interpessoal específico deste mercado". E explica: Há o cliente muito sofisticado, que segue todas as tendências da moda internacional e exige a exclusividade e a qualidade superior destes artigos, tal como há o cliente que os compra pela imagem social que eles transmitem, porque isso tem importância no grupo social em que se insere, porque se trata de modelos exclusivos e porque sabe que terá pouca probabilidade de se cruzar com alguém no seu círculo com uns iguais. .Já a responsável pela ModaLisboa aponta às marcas de luxo qualidades excepcionais que explicam o seu sucesso. "Correspondem a um design particularmente bem feito e a um tipo de acabamentos que as outras marcas, por terem outro preço, não acedem", refere. Eduarda Abbondanza lembra que os acessórios, em geral, e o calçado, em particular, são fundamentais "para definir o estilo de uma pessoa". .Destaca ainda que se trata de "artigos de séries limitadas, com muito packaging, etiquetas e advertising e tudo isso custa dinheiro". No fundo, diz, são marcas que "permitem a projecção de uma imagem de sonho". Inquirida sobre se a parceria que a Jimmy Choo fez com a cadeia H&M há uns anos não contribuiria para desvalorizar a marca, Eduarda Abbondanza assegura que "não, de todo". "É uma forma de democratizar e tornar acessível a outros públicos os produtos da Jimmy Choo. Além do mais, ao gerar uma corrida em massa a estes artigos, comunica com a marca", diz..Mas nem só de marcas de calçado de senhora se faz a história do luxo neste mercado. Bem,pelo contrário. Os homens são consumidores crescentes de tudo o que à moda diz respeito, e o calçado não é excepção. Que o diga João Pedro Vasconcelos, sócio-gerente da Wrong Weather. "O homem compra muito menos calçado do que a mulher, se calhar compra um par de sapatos por estação. São mais contidos na quantidade, mas apostam muito na qualidade. Querem um produto durável e não se preocupam com o preço", diz..Common Projects, Dries Van Noten e Pierre Hardy (esta contrata a produção à Cruzeiro, em Oliveira de Azeméis) são algumas das marcas mais conceituadas para homem, sendo que o calçado das duas primeiras pode oscilar entre os 300 e 400 ou 300 e 600 euros, enquanto uns ténis de edição limitada Pierre Hardy podem custar 800 ou 900 euros. .Sobre a importância das marcas e o que leva o consumidor a gastar uma pequena fortuna para ostentar uma qualquer griffe, João Pedro Vasconcelos diz que a situação varia. "Há clientes para quem a marca não é algo assim tão importante, mas para outros é muito. As pessoas mais ligadas à moda preocupam-se muito com as marcas, porque representam os valores e a imagem que eles têm de si próprios. Os outros dão mais importância à qualidade e ao design", diz. .Mas há também marcas portuguesas de luxo. Além de Luís Onofre (ver caixa), temos a Profession: Bottier e a Ferre, marcas da empresa Ferreira Avelar que calça personalidades como Figo, Ronaldo, Nicholas Sarkozy, Hugh Jackman e Michael Bublé e que, na última cerimónia dos Óscares teve 18 famosos na passadeira vermelha com os seus sapatos. Há ainda a Carlos Santos, a Zarco, que exporta 99% dos sapatos que produz e que, por serem manufacturados, podem custar entre 300 e 700 euros. .Manolo Blahnik."Um belo par Manolo é melhor do que sexo", disse Madonna, um dia. "Claro, dura muito mais", completou o estilista espanhol,. Bianca Jagger lançou-o..Jimmy Choo.A princesa Diana foi das primeiras clientes famosas do sino-malaio filho de um sapateiro que se tornou conhecido por produzir sapatos à mão, por encomenda.Christian Louboutin.As solas vermelhas e os saltos agulha de 12 centímetros são a imagem de marca do designer francês. Carolina do Mónaco foi a primeira a render-se