O legado plural dos homens que repeliram o velho País

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A Primeira República e os seus múltiplos legados: os rostos, o corpo, o viajar por prazer ou a resistência durante a ditadura salazarista em nome de uma sociedade democrática. São dezenas de exposição por todo o País, umas já patentes ao público e outras a inaugurar em breve, que traçam a história dos homens que forçaram a queda da monarquia e abriram, no Portugal arcaico e periférico, caminho a uma sociedade nova.

Para se conhecer o percurso do ideário republicano, o processo de implantação do novo regime - em 1910 - e as principais transformações a que esteve associado, há a exposição itinerante "Viva a República!". Uma viatura adaptada, duas tendas e uma equipa de mediação, desde o início do mês e durante um ano, levam história a mais de cem concelhos de todo o País.

Nas variadas exposições, organizadas pela comissão nacional do evento, por autarquias e outras entidades, evocam-se nomes, rostos, gestos. É um Portugal a sacudir a herança medieval, apresentado em domínios diversos. A Sociedade Portuguesa de Autores, a partir da próxima quinta-feira, lembra "Os Autores e a República", iniciativa coordenada por António Valdemar e organizada pelo cenógrafo Fernando Filipe. Na Universidade de Coimbra, Amadeu Carvalho Homem e Alexandre Ramires prepararam "Ver a República". A exposição desdobra-se em três núcleos temáticos, um deles com retratos "dos principais propagandistas republicanos", retirados de "importantes colectâneas do tempo".

A maior mostra filatélica alguma realizada em Portugal - abertura marcada para dia 1 de Outubro, na FIL (Parque das Nações) - também não esquece a efeméride. Uma área da exposição destaca os CTT nos Cem Anos do Regime Republicano. De igual modo, o Museu do Brinquedo, em Lisboa, entra na Rota do Centenário da República, através dos brinquedos do período de 1890 a 1920.

À margem, e por razões antagónicas, a Causa Real junta-se à Plataforma do Centenário da República: inauguram no dia 4 de Outubro, no Palácio da Independência, Lisboa, a exposição "A Repressão da Imprensa na I República". "Trata-se da exibição dum conjunto de várias dezenas de quadros que evidenciam existência de um sistema repressivo regular e duradouro mantido ao longo da primeira República." Os organizadores apresentam-se como "um grupo de cidadãos independentes que se reúnem para uma abordagem histórica, em contraponto às comemorações oficiais".

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