Há muitas razões para valorizar uma visita a Telavive, depende de cada um: pode ser a arquitetura Bauhaus, podem ser os símbolos do sionismo como o prédio na Avenida Rothchild onde Ben Gurion declarou Israel independente, pode ser Jafa a lembrar batalhas de Saladino com os Cruzados, pode ser a praia interminável, pode ser o charme oriental do mercado iemenita. Mas não desprezemos um pequeno museu dedicado a um grande artista, Reuven Rubin, pintor israelita nascido na Roménia em 1893 e que, como tantos judeus europeus, abraçou o projeto sionista lançado por Theodor Herzl..A casa onde Rubin viveu em Telavive possui hoje uma pequena coleção das suas pinturas. Judeus e árabes são os temas. Também alguns autorretratos. E ainda um quadro com a mulher e o filho. Ela, belíssima a acreditar no que o marido pintou, era uma judia nova-iorquina. Conheceram-se no navio que trazia Rubin de volta da América, ele que já decidira instalar-se na Palestina entretanto transferida do controlo dos otomanos para o dos britânicos. Foi amor à primeira vista, conta o próprio artista num vídeo a preto e branco que se vê no terceiro piso..Já Israel, ainda sem esse nome oficializado, foi paixão mais complicada: Rubin chegou em 1912 para estudar arte em Jerusalém, depois andou por Paris, Bucareste e Nova Iorque, e só em 1924 assentou de vez na futura pátria. Morreria em 1974 nessa Telavive que ele viu crescer, batizada a partir da tradução para hebraico de Altneuland, ou "Velha Nova Terra", ficção de Herzl, o austríaco que há 120 anos criou o sionismo, a partir da ideia lançada noutro livro seu, O Estado Judeu..Rubin foi um pioneiro. Não cavou a terra como outros, nem fez crescer plantas no deserto. Mas pintou sem preconceitos a terra que o acolheu. Por isso, a diversidade das gentes que existem nos seus quadros, uma diversidade que nem o conflito entre israelitas e palestinianos que dura desde 1948 fez desaparecer. Gostei de várias pinturas, mas achei uma especial pela candura. Não sou nenhum entendido em arte, mas publico junto a esta crónica uma imagem para que possam concordar ou não..Telavive, que já conhecia, continua cosmopolita. Nela coexistem judeus e árabes, embora sem tanta harmonia como a que dá fama a Haifa. Também há estrangeiros, de ricos americanos a pobres africanos. Tem fama de ser a cidade do pecado, por contraste com a piedosa Jerusalém. E todos os anos uma parada gay desafia os limites da tolerância. É ir demasiado longe, dizem judeus, muçulmanos e cristãos conservadores - rara unanimidade..O museu Rubin fica na Rua Bialik. Quase ao lado está outra casa-museu, a dedicada ao poeta Chaim Bialik. A escrever em hebraico e ídiche, ganhou o estatuto de poeta nacional de Israel. Nasceu na Ucrânia e era mais velho do que o pintor Rubin. Traduziu Shakespeare e também D.Quixote. Fica para depois saber mais sobre ele, acrescento apenas que morreu em Viena mas foi sepultado na "Velha Nova Terra"..Quando se tem só uma tarde livre, depois de um intenso programa organizado pela Associação de Imprensa Europa-Israel, há prioridades. Depois de Rubin, havia ainda o Museu de Arte de Telavive, com Picassos, Chagall, até um Klimt. E uma série de Archipenkos, que surpreendem. Ir a banhos no Mediterrâneo fica para uma quarta visita.