O IndieLisboa insiste no made in Portugal

Arranca esta quarta-feira a 14.ª edição e o cinema português é o seu campo de batalha.
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O novo, o novíssimo e o habitual. O cinema português continua em força no Indie. É o seu trunfo, tem sido sempre assim, mas neste ano é uma armada. Um tour de force dos programadores do festival, um pouco na ressaca do sucesso artístico nos últimos festivais de Cannes, Locarno, Veneza ou Berlim. O que está na calha depois desta corrente, um extenso programa para ver até 14 de maio.

E quer nas curtas quer nas longas há propostas que nos dão esperanças para a continuidade dessa vaga. Não é pois por acaso que está selecionado na competição de curtas-metragens Cidade Pequena (em Portugal estreou-se no festival rival, o Curtas Vila do Conde), de Diogo Costa Amarante, o grande vencedor em Berlim do Urso de Ouro, ou o ajuste de contas de Teresa Villaverde com o Portugal da crise da troika em Colo, que abre hoje o festival. São dois exemplos representativos do prestígio da marca livre dos nossos cineastas lá fora, mas o que chama a atenção são mesmo as estreias mundiais.

Grande expectativa na competição internacional para um filme português, Amor Amor, de Jorge Cramez, cineasta que fez furor internacional (em Locarno) com Capacete Dourado (2007). Cramez volta a Ana Moreira e oferece-nos uma comédia dramática inspirada em Corneille. Uma crónica amorosa passada num único dia, o último do ano. Trata-se do único português na competição internacional.

Muito recomendável é Luz Obscura, de Susana de Sousa Dias, que continua a encontrar cinema nos arquivos do Estado Novo. Tal como 48 (2010), a ideia é jogar com um universo fotográfico, neste caso fotografias de uma família desfeita pela PIDE, a de Octávio Pato. Fotografias maioritariamente tiradas na captura do pai, da mãe e de um dos filhos. Uma história de família que resiste a qualquer simplismo de pendor televisivo. Duro, muito duro, Luz Obscura é cinema de utilidade pública.

Destaque também para Fade into Nothing, um road movie que é literalmente uma travessia no deserto. Neste caso, o deserto da Califórnia e onde um homem tenta encontrar a sua libertação no nada. A música e a interpretação são de Legendary Tigerman, que concebeu este projeto com Rita Lino e Pedro Maia. A prova de que o super 8 mm consegue resultados plásticos ainda inesperados... Curiosidade considerável para ver a primeira longa de Miguel Clara Vasconcelos, um veterano das curtas. O seu filme chama-se Encontro Silencioso e pode ter no Indie rampa para uma carreira internacional.

Nas curtas-metragens, teremos os novos de cineastas com provas dadas como Salomé Lamas, Jorge Jácome, Leonor Noivo ou André Gil Mata.

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