O financiamento do império Sonae com a estreia na Bolsa

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O ano de 1985 é determinante para o nascimento do império Sonae: é inaugurado o primeiro hipermercado Continente em Matosinhos e é oficializada a entrada do grupo na Bolsa.

Os primeiros anos de Belmiro de Azevedo na Sonae são marcados pela sua rápida ascensão interna, que culmina com a compra de 17 acções da empresa. Entre a fuga do presidente Magalhães Pinto para o Brasil, após o 25 de Abril de 1974, e o seu regresso, a gestão de Belmiro dá solidez ao grupo. Em 1982, Magalhães Pinto oferece 16% da Sonae ao empresário de Marco de Canaveses e, depois da sua morte em 1984, Belmiro atinge a maioria do capital após uma longa batalha com a família do antigo presidente. O administrador delegado do grupo acusa os filhos de Pinto de Magalhães de incompetência e deixa bem claro que não tenciona continuar a trabalhar para eles. A determinada altura, a família desiste e dá o controlo a Belmiro.

Com total liberdade à frente da empresa, decide utilizar pela primeira vez o mercado de capitais português: lança uma emissão de obrigações no valor de 4,2 milhões de euros para, segundo as suas próprias palavras, "financiar o crescimento, já que nos sentimos com moral, capacidade de gestão e vontade empresarial de contribuir para o aumento da riqueza nacional".

Em 1985, num contexto económico e financeiro difícil, Belmiro vê a Bolsa como uma ferramenta para o crescimento da Sonae.

Com a estreia no mercado bolsista português, o capital social do grupo dispara de quatro para 18 milhões de euros e, já em 1986, a holding Novopan protagoniza a primeira OPV de Belmiro. O encaixe desta operação atinge os 3,4 milhões de euros e, juntamente com a OPV da CISF, permite à Sonae fechar o exercício com uma receita extraordinária de quase sete milhões de euros.

O início da primeira "febre" bolsista em Portugal é o cenário ideal para Belmiro de Azevedo fazer valer a sua perspicácia no aproveitamento de oportunidades de crescimento no mercado de capitais. A colocação de apenas 25% em Bolsa da sociedade Siaf, comprada na totalidade por um milhão de euros, rende dois milhões. Com a realização de operações semelhantes - entre as quais se destacam as sete OPV (ver texto ao lado), o grupo consegue encaixar perto de 30 milhões de euros. O ano de 1986 termina com a abertura do emblemático Continente da Amadora, financiado decisivamente pela actuação de Belmiro na Bolsa. C

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