1. Bem sabemos que as borboletas voam. Voam muito. As suas asas leves evidenciam bem que os tempos que vivemos são de mudanças. Que podem chegar, na próxima quinta-feira, a um terramoto independentista na Escócia com réplicas em espaços do continente europeu como a Catalunha. E sem esquecermos que a anexação da Crimeia pela Federação Russa está consolidada e com um imenso manto de silêncio. Sabemos bem que "as mudanças nunca ocorrem sem inconvenientes". Mas estamos a perceber que as mudanças são rápidas. Tão rápidas que a imagem do Novo Banco está a surgir nos diferentes balcões e anuncia-se, em crise de liderança e de não articulação pelo menos com o Banco de Portugal, a venda célere da dita parte boa do banco surgido, através de uma complexa e discutível construção jurídica, da "extinção" do Banco Espírito Santo. Extinção que, acredito, foi liderada pelo departamento jurídico do Banco de Portugal e não foi construída, mesmo que parcialmente, a partir de contributos "externos". É indiscutível que a evolução que se anuncia se traduz em boas - em rigor muito boas - notícias para as empresas de marketing e de comunicação e para aquelas que fazem "painéis publicitários". Estão a colocar os novos painéis que, de verdade, poderão durar, apenas, dois ou três meses. Aliás, o ciclo das borboletas, nas suas quatro fases - que envolve o ovo e a larva -, ensina-nos que a imago, a fase adulta, pode durar de duas semanas a três meses. Basta fazermos as contas para um banco que "nasceu" a 3 de agosto. Estamos no meio da vida da borboleta... E, logo, a aproximar-se do fim! Como se sente! . 2. O regresso total à vida privada, após um tempo porventura excessivo de total dedicação à vida pública, ajuda-nos a sentir a realidade. E a distinguir entre o que é dito ou escrito e o que é, de verdade, sentido e vivido. Por aqueles que sofrem. Na indefinição ou na não existência de respostas concretas. A questões concretas. E importa dizer que a "crise do BES" é uma crise grave. Atinge particulares e empresas. Atinge milhões em poupanças e atinge muitos milhões em operações financeiras que poucos acreditavam que não fossem totalmente de confiança. Não vale a pena continuar a "adiar" a solução de um conjunto de questões. Vítor Bento e a sua equipa estavam - estão - a par do "furacão" que atinge milhares de pessoas e empresas e que, em definitivo, pode "tirar" da economia portuguesa milhões de milhões de euros..3. Neste arranque de aulas regresso à minha cidade natal - no mesmo berço se nasce e se morre! - e ao êxito escolar do nosso liceu, agora Liceu Alves Martins. Principalmente no acesso dos seus estudantes ao ambicionado curso de Medicina. Lá estudaram, entre outros, o Prémio Nobel Egas Moniz ,o doutor Azeredo Perdigão - o homem fundamental para a consolidação da Fundação Calouste Gulbenkian - e, agora, entre outros e outras , a senhora procuradora-geral da República, doutora Joana Marques Vidal. E reli o esboço biográfico que Camilo Castelo Branco publicou em 1870 a respeito de D. António Alves Martins, bispo de Viseu. Bispo e político. Bispo e líder de um Governo da monarquia constitucional. E que em 1868 assumia, acreditem, que o seu Governo se nortearia por "poucas palavras: aumentar a receita e diminuir a despesa". E recordei-me de que no ano seguinte, em 1869, nasceu, na Calçada do Combro, uma "caza de câmbios " cujo fundador se chamou José Maria Espírito Santo Silva! Decerto vendo voar naquela Calçada de Lisboa diferentes borboletas!