O engenheiro que subiu a pulso na Autoeuropa

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"Um homem de grande dinamismo, o que lhe permitiu subir a pulso na Autoeuropa." É assim que o coordenador da Comissão de Trabalhadores da fábrica portuguesa da Volkswagen, António Chora, define o primeiro português que vai liderar a empresa de Palmela. O representante dos trabalhadores "conhece bem" o percurso de António Afonso Reynaud de Melo Pires e não poupa elogios.

O anúncio oficial do sucessor de Andreas Hinrichs estará por dias, já que António Melo Pires deverá assumir as novas funções durante o mês de Agosto. Mas a liderança de uma fábrica não é nada de novo para este licenciado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico. Há vários anos que Melo Pires dirige a unidade da Volkswagen em São José dos Pinhais, em Curitiba, tendo passado antes pela de Anchieta (ambas no Brasil). Em termos de mão-de- -obra Curitiba aproxima-se da Autoeuropa, com um total de 3600 trabalhadores e capacidade para produzir 810 veículos por dia, dos modelos Golf, Fox e CrossFox.

"Estamos, por isso, a falar de uma pessoa muito experiente", elogia António Chora, acreditando que chegou a hora de um português ter a sua oportunidade à frente da empresa que traduz o maior investimento estrangeiro no País. "Ao fim de 16 anos já é tempo de os portugueses mostrarem o que valem a gerir uma empresa, porque já aprenderam o suficiente. Mas é também a oportunidade de os trabalhadores mostrarem que são tão bons sob a direcção de portugueses como têm sido sob a direcção dos alemães", considera.

A entrada de Melo Pires na Autoeuropa coincidiu com a de António Chora, em 1992, tendo o futuro homem- -forte da fábrica de Palmela iniciado a actividade como superintendente, passando depois a director de área, até chegar a director de produção. Foi nessa altura que se despediu de Portugal rumo a Pamplona (Espanha), de onde viria a sair para fazer um estágio nas várias unidades do gigante alemão distribuídas pelo mundo, o que lhe proporcionou a promoção a administrador-geral.

"Tem uma grande preparação neste ramo de actividade", insiste António Chora, acreditando que Melo Pires vai saber estar à altura do lançamento da nova carrinha Volkswagen Sharan e do renovado Eos. E será mais fácil negociar em português? Chora garante que à mesa das negociações qualquer idioma é válido na Autoeuropa: "Só há intervenções quando estamos na iminência de qualquer tipo de conflito ou ruptura. Aqui há uma grande descentralização de poderes e cada um tem as suas responsabilidades bem definidas".

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