O dia do encontro entre a Terra,o Sol e a Lua

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Se fosse um astronauta e ontem de manhã tivesse pisado a Lua e olhado para Terra, teria visto o planeta às escuras, mas envolto numa auréola de fogo. Isto porque Sol, Terra e Lua ficaram exactamente alinhados durante pouco mais de uma hora. Este fenómeno, conjugado com a fase de Lua Cheia , permitiu a milhões de pessoas no hemisfério norte apreciar o único eclipse lunar total deste ano.

O fenómeno ocorreu à hora prevista pelos astrónomos: para alguns curiosos e cientistas era ainda noite, para outros o Sol estava já a preparar-se para nascer quando ontem a Lua começou a transformar-se numa gigante bola avermelhada.

O eclipse, que ocorreu às0 7.41 (hora de Lisboa), pôde ser observado na América do Norte e em algumas partes da Europa Ocidental e da Ásia de forma parcial. Os norte--americanos foram privilegiados, uma vez que o fenómeno ocorreu quando lá ainda era noite. Ao contrário da maioria dos europeus, que tiveram menos sorte , já que o Sol estava prestes a nascer.

De acordo com a revista norte-americana de astronomia Sky and Telescope, existem dois factores que influenciam a cor e o brilho de um eclipse lunar. "O primeiro diz respeito à profundidade que a Lua atinge na umbra [cone de sombra]. O centro da umbra é muito mais escuro que as suas extremidades", explica a publicação.

A Terra gera duas sombras em forma de cone. A umbra é a sombra total e também a mais escura. Já sombra externa, e mais difusa, é chamada penumbra e envolve a umbra.

O outro factor que influencia a cor da Lua é, como refere a Sky and Telescope, "o estado da atmosfera da Terra". "Se o ar estiver limpo, o eclipse é brilhante, mas se, por exemplo, ocorrer alguma grande erupção vulcânica, a lua pode ficar vermelho-escuro ou preta."

Mas este não foi o único fenómeno celestial que ocorreu durante o dia de ontem. Ao mesmo tempo acontecia o solstício de Inverno: o dia mais pequeno do ano, que marca o início do Inverno no hemisfério norte. A última vez que os dois fenómenos aconteceram no mesmo dia foi, segundo a NASA, há 372 anos e só deverá voltar a ocorrer em 2094.

"Para os observadores do eclipse, esta coincidência significa que a Lua vai aparecer muito alta no céu, já que o solstício marca a altura em que a inclinação axial da Terra está mais distante do Sol", explicou a NASA.

Os astrónomos do Marshall Space Flight Center da agência espacial norte-americana participaram em chats online para responder às perguntas dos mais curiosos.

Para o próximo ano, 2011, estão previstos quatro eclipses solares parciais e dois eclipses lunares totais. Esta combinação rara só acontecerá, de acordo como site de eclipses da NASA, seis vezes no século XXI.

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