Devem contar-se pelos dedos de uma mão o número de pistas de dança de alma indie que não tenham, desde 2008, dançado ao som de hinos como Time to Pretend ou Kids, singles de Oracular Spectacular, o álbum de estreia dos MGMT. Dois anos depois, o fulgor com que esses dois singles corriam entre as noites dançantes e estações de rádio mais alternativas não se repete ao som de Congratulations, segundo álbum da banda. Contudo, e inversamente proporcional à expressão global que os êxitos de 2008 somaram a essa etapa da sua carreira, o reconhecimento perante os caminhos seguidos no seu segundo álbum poderá acabar por levar o grupo mais longe, assegurando que assim não se esgotam num qualquer cenário fugaz ao sabor de um entusiasmo do momento.."Por vezes, as bandas até aproveitam para capitalizar um pouco com um segundo álbum parecido com o anterior, mas as pessoas eventualmente podem depois fartar-se disso", justifica ao DN Ben Goldwasser, dos MGMT. Porque, diz, "então parece que uma banda não tem nada mais para dizer". Ben acrescenta que, inclusivamente, os MGMT não estão "a tentar ser comerciais". Para si, o que vê como o que poderia ser um "suicídio comercial acontece mais quando uma banda se preocupa em ser comercial e então faz algo que possa sabotar a sua carreira". Os MGMT, como defende, estão antes a "tentar estabelecer uma carreira fazendo algo diferente" a cada novo disco..O certo é que o sucesso de Time to Pretend e Kids os tomou de surpresa. Não o "esperava de todo". E ainda hoje estão "espantados" por toda a atenção que receberam à conta do impacte destas canções. "Deram-nos um público e estamos felizes por isso. Houve quem dissesse que estávamos a tentar alienar esse público com este novo álbum, que estávamos a tentar livrar-nos dos fãs do momento... Mas não concordo nada com essa visão", responde. E garante que estão a tentar ligar-se "a mais pessoas de uma forma que faça sentido". Admite que "muitos dos que ouviram o primeiro álbum e nele só gostaram de Kids e Time to Pretend possam entrar nas novas canções". Ben quer manter esse público e mostrar-lhes algo novo. "Não estamos a tentar perder fãs", conclui..Formados em ambiente universitário em meados dos anos zero, tendo inclusivamente editado um primeiro EP (já com uma primeira versão de Time to Pretend em 2005), os MGMT resultam em primeiro lugar da combinação dos esforços de Ben Goldwasser e de Andrew VanWyngarden, o núcleo de onde a ideia germinou. "Acho que foi a ouvir a música dos pais, depois as rádios universitárias" que Ben traçou os primeiros azimutes em busca de uma identidade na música. E quando chegou à universidade aí encontrou uma comunidade de músicos. "E descobri muitas coisas entre os meus amigos", recorda. A dada altura estava mais interessado "em descobrir coisas antigas que a acompanhar o que era cool no momento". Ainda o fazem, ressalva. Mas hoje diz-se um pouco mais interessado "na música do nosso tempo". E aponta nomes como Tame Impala, Ariel Pink, Girls ou Magic Kids como exemplos do que de melhor tem escutado recentemente. .A sua relação com as memórias que lhe serviram de referência na hora de definir um caminho na música é alvo de abordagem bem directa no álbum deste ano no qual apresentam inclusivamente um tema com o título Brian Eno. "Quando editámos o primeiro álbum, foi um tanto frustrante ver as pessoas a não o entender, sobretudo nas nossas referências", comenta. Compararam-nos a bandas actuais com as quais diz não ter "assim tantas afinidades". Ao dar a uma canção o título Brian Eno, diz ser essa a sua "maneira de serem tão óbvios quanto possível", dizendo quem os influencia. "Há quem seja um ouvinte crítico e que vá além dos hypes do momento", remata, caracterizando uma demanda. E conclui: "Estamos a tentar encontrá-los."