O azar da multa zero

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Mais uma catástrofe financeira: não vamos pagar multa por excesso de défice. Nada, zero, nicles. E, agora, a quem pedir contas? É que as expectativas eram altas: chegou a falar-se em 360 milhões de euros a pagar. Mas alguém, por cá, bateu com o pé - há sempre um Costa armado em esperto. Como aquele islandês que marcou o golo no último minuto, fez galgar a equipa dele para segundo lugar e atirou-nos para terceiro. Resultado: a Islândia tramou-se no grupo dos valentões e nós ficámos com a passadeira estendida até à final... Connosco e sanções, foi o mesmo. Em vez de pagar quando a multa estava no topo, protestámos como um imprevidente islandês. Azar, a coima de 360 milhões foi minguando até à hipótese de multa simbólica: 18 milhões. Isto é, 0,01% do PIB, como mandam as normas. Inflexíveis. Como dizia Bruxelas: "A multa zero não existe" (ontem, DN). E o comissário para algarismos Pierre Moscovici: "Em caso algum a sanção será zero." Que pena o novo Acordo Ortográfico obrigar a dizer perentório quando os senhores de Bruxelas são é "peremptórios"... Ontem, a decisão: multa zero. Um azar, já eu disse. Façam as contas: se tivéssemos aceitado a multa inicial, de 360 milhões, financiávamo-nos no BCE aos juros que lá há: 0,1% negativos. Pagávamos a multa e ainda ficávamos com lucro. Assim, lerpámos. E ainda vamos ter de pagar os remédios para o stress pós-traumático dos patriotas que defendiam as sanções.

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