O amor e o candomblé desfilam em São Paulo

Sete escolas de samba desfilaram na primeira noite de Carnaval em São Paulo, no Brasil. Vai-Vai, Rosas de Ouro e Mancha Verde foram as escolas que mais chamaram a atenção do público.
Publicado a
Atualizado a

A Camisa Verde e Branco foi a primeira a desfilar. Com um enredo sobre o amor, a escola comemorou a volta para o Grupo Especial, após quatro anos.

Campeã do ano passado, a Vai-Vai foi a quarta escola a se apresentar e desfilou o enredo "Mulheres que Brilham: a Força Feminina no Progresso Social e Cultural do país". A comissão de frente homenageou as mulheres, mas foi composta por homens vestidos de personagens femininas.

Com o dia já claro, a Mancha Verde desfilou um enredo sobre o candomblé e a humildade. O samba chamou a atenção pela animação. O ex-goleiro Marcos, ídolo do Palmeiras, desfilou com a família no último carro da escola.

Afoxés levam religião do candomblé ao Carnaval

Sem carros alegóricos, nem "passistas" em trajes miúdos, os afoxés fazem as apresentações mais religiosas do carnaval brasileiro, cantando em línguas africanas e vestidos em tons de uma única cor para homenagear um Orixá, entidade espiritual ligada à natureza.

A manifestação tem origem em terreiros de candomblé (religião afro-brasileira) e parte dos participantes são ligados a ele. O afoxé só desfila pelas ruas, ou pelo sambódromo, após um ritual específico da religião.

A dança do afoxé assemelha-se à que é feita nos terreiros, por isso ele também é conhecido como "candomblé de rua". A música é formada por três instrumentos de percussão: o afoxé, composto por uma estrutura normalmente de madeira coberta por uma rede de contas; o atabaque, uma espécie de tambor cilíndrico ou cónico; e o agogô, formado por sinos de ferro e uma baqueta.

Diversos grupos de afoxé desfilam pelo país durante o Carnaval, em estados como Baía, Ceará, Pernambuco (todos no nordeste do país), São Paulo e Rio de Janeiro (ambos no sudeste). O mais famoso é o baiano Afoxé Filhos de Gandhy, fundado em 1949, que reúne cerca de seis mil homens com roupas brancas.

Em São Paulo, há mais de 30 anos pelo menos um afoxé apresenta-se antes do desfile das escolas de samba, no sambódromo do Anhembi. "É o momento que temos para divulgar a cultura negra, num palco de qualidade, com um público de 30 mil pessoas", diz o ogã Gilberto de Seu, presidente do Afoxé Filhos da Coroa de Dada.

Este ano cerca de mil filhos de Dada vão abrir os desfiles do sábado de Carnaval em São Paulo, com uma homenagem à Iansã, a orixá senhora dos ventos. A cor predominante será o vermelho, com diferentes tons.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt