Nasceu em Lisboa um novo templo ramen. O Ajitama leva agora a cultura japonesa para a Rua do Alecrim em Lisboa, quatro anos depois da abertura do primeiro restaurante, na Avenida Duque de Loulé. Um espaço, desenvolvido pela dupla António Carvalhão e João Azevedo Ferreira, em que uma intrincada estrutura de madeira se mantém como destaque da decoração, mas que, em vez de um ovo - como no primeiro restaurante - recria a forma dos noodles.."Neste restaurante decidimos inspirar-nos nas formas dos noodles que é um dos elementos mais importantes do ramen e para celebrar o facto de nós voltarmos com os noodles caseiros", explicou António Carvalhão numa conversa com jornalistas na inauguração do restaurante..Essa é uma das novidades trazidas pelo novo Ajitama. Os noodles deixaram de ser importados do Japão e passaram a ser caseiros, feitos, como manda a regra, com água alcalina. Demoram entre 18 e 20 horas a serem confecionados. Um retorno às origens, quando os dois sócios faziam jantares de ramen em casa de António Carvalhão, os quais vieram a inspirar a abertura de um projeto de restauração, que agora se expande à baixa lisboeta.."Sentimos que havia oportunidade para estendermos a nossa oferta a outras zonas da cidade, onde a presença deste produto não é tão proeminente, como é o caso do eixo Cais do Sodré - Chiado. Acresce que nesta localização podemos captar duas tipologias de clientes que raramente visitam o nosso primeiro restaurante: algum público turista, assim como clientes que vão sair à noite e procuram um bom restaurante para descontrair antes de seguirem para os bares ou discotecas", justificam..Apaixonados pelo Japão, António Carvalhão e João Azevedo Ferreira voltaram a visitar o país em maio para fazer um segundo curso de ramen. O objetivo era aprender pratos japoneses para o verão. "Hoje em dia, já todas as pessoas comem ramen e estão à procura de sabores um bocadinho mais complexos", explicaram..Cada sala do novo espaço tem o nome de uma cidade japonesa, começando pela Tokyo, a primeira cidade que os dois sócios visitaram, seguida pela Saporo, a sala onde está a garrafeira, depois Kyoto e Osaka. O bar chama-se Okinawa, a ilha do Mister Miyagi do filme Karaté Kid..O Ajitama apresenta dois novos tipos de ramen: o Tantanmen, um ramen com caldo Pai Tan e sementes de sésamo torradas, molho picante caseiro, acompanhado com ovo, Niku-Miso (carne picada picante), negi (cebolo japonês), cebola roxa e cajus torrados; e uma nova opção vegana com um caldo de vegetais numa mistura de pastas de miso vermelho e branco e soja, com tofu, couve roxa e rebentos de soja, cenoura, cogumelos e alga nori. O preço dos ramen varia entre 13,20 e 15,30 euros..Ao menu junta-se ainda uma nova entrada, os Padron Togarashi, ou seja, pimentos japoneses e togarashi, uma especiaria japonesa ligeiramente picante..Apesar de ser um templo ramen, o menu tem outras sugestões gastronómicas, nomeadamente Chashu Don (barriga de porco em base de arroz), Gyudon (carne de vaca em base de arroz) e Japanese Curry, com frango e vegetais..Nas bebidas, estão disponíveis várias opções de cocktails mas cada um deles com pelo menos um ingrediente japonês. Uma das novidades é o cocktail com nome da Rua Alecrim, intitulado de Rozumari, uma bebida doce e fresca com toranjas, gin e alecrim fumado. O Shiro Budo Gin leva gin, vinho do Porto branco, shochu, erva príncipe, uva verde e limão. Um cocktail à base de pepino, o Kyuuri Dorinku, é também uma opção fresca e depois há um o Yatagarasu - uma figura mítica japonesa, que é um corvo de três patas -, um cocktail mais amargo com shochu, gin, Cynar, sumo de lima, hortelã, tomilho e cerveja. Além disso, o Ajitama acrescenta à sua carta uma linha de vinhos, todos portugueses..Para tornar a experiência ainda mais próxima da cultura japonesa, o restaurante disponibiliza aos seus clientes umas pequenas placas de madeira para que estes possam deixar mensagens, à semelhança do que sucede nos templos japoneses. "Estivemos lá num período histórico, porque estava fechado para os turistas. Decidimos ir a um templo que estava completamente vazio e pudemos reparar em alguns detalhes. Uma coisa engraçada que vimos foi que eles têm uma série de placas de madeira que as pessoas compram, escrevem o seu desejo e penduram nos templos. Quisemos trazer isso para cá", explicou..Finalmente, nas casas de banho, há sanitas inteligentes Toto com o tampo aquecido e o som ambiente das estações de comboio japonesas.