O activismo mínimo da Climáximo

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Sucedem-se os actos da organização Climáximo, agressão com tinta a um ministro, obstruir vias rápidas e avenidas da cidade, cimentar buracos de campos de golfe, vandalizar as fachadas da FIL e REN, vandalizar um quadro do Picasso, invasão de um avião... Nada que associações climáticas de extrema-esquerda não tenham feito noutros locais do mundo com o mesmo resultado: eficácia zero para alertar para as alterações climáticas e eficácia total sobre a descredibilização do activismo climático.

E é pena. Quando são os extremistas que se fazem ouvir os temas importantes em causa perdem um debate e uma discussão séria, racional e produtiva. E a Climáximo é uma organização extremista. "Chegámos ao verão de 2023, e a memória que fica connosco do ano que passou são catástrofes brutais e milhares de mortes que mesmo nós, no Climáximo, temos de nos esforçar para não tornar banais: a sentença - quer de prisão, quer de morte - de dezenas de companheiras nossas por todo o mundo que se insurgiram contra o genocídio e ecocídio do capitalismo", diz a organização no seu site.

E continua: "Não estamos apenas numa emergência global, estamos em guerra. Anualmente, governos, empresas e instituições criadas para manter a aparência de paz, matam em todo o mundo, em busca de lucro, pelo menos milhares de pessoas. No momento em que vivemos, cada tentativa de aumento de emissões corresponde à tentativa, não negociável, de construir um novo campo de concentração." Para a Climáximo estamos em guerra, temos de lutar contra o capitalismo e os governos e empresas matam em todo o mundo.

A resposta a esta "guerra" é atirar tinta a ministros, vandalizar quadros e fachadas e interromper o trânsito, que tem o efeito de levar todas as pessoas contra os actos da Climáximo e ninguém discutir a emergência climática que já estamos a viver. Este tipo de organizações faz muito pior à causa do que bem. Mas isto é também um alerta a todos aqueles que de facto estão preocupados com as alterações climáticas e não com uma agenda política extremista e anticapitalista.

É tempo de termos governos e jornais e televisões que comecem a ouvir, no caso dos primeiros, e a dar voz, no caso dos segundos, os verdadeiros especialistas na área das alterações climáticas. O que infelizmente não tem acontecido até agora. Num canal de informação até há um caso de alguém, dito especialista, que só tem debitado banalidades que qualquer aluno com o secundário terminado diria sobre o tema. Maior exigência precisa-se.

As alterações climáticas são o problema mais grave deste nosso século XXI. Está a condicionar as nossas vidas e vai condicionar cada vez mais. É a qualidade de vida e a própria sobrevivência dos seres humanos, de todos os seres vivos e dos ecossistemas que está em causa. Sendo verdade que o tema já entrou nos discursos políticos e por pessoas responsáveis é necessária uma muito maior acção por parte de todos. E que irá obrigatoriamente mudar o tipo de vida que temos estado habituados.

Mas uma coisa é certa: as alterações climáticas são um tema demasiado sério para ficar mediaticamente capturado por Climáximos e afins.

Presidente do movimento Partido Democrata Europeu
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

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