As fotos são muito semelhantes, mas a verdade é que entre a coluna da esquerda e a da direita estão quase 20 anos de diferença. Desde março de 2014 que todas as semanas, Teka Kanga, apresentador angolano, conduz o formato semanal Big Show e as semelhanças com o antigo Big Show SIC, exibido em Carnaxide entre 1995 e 2001, conduzido por João Baião, não são mera coincidência.. O produtor Ediberto Lima, que trouxe para Portugal, com o advento das privadas em terras lusitanas, o conceito da TV em movimento, é hoje administrador executivo no canal privado angolano, TV Zimbo, que nasceu há cerca de cinco anos com o apoio da Media Capital. Por isso, não seria de estranhar que aplicasse também o conceito em África. E não só o fez como as semelhanças com o formato conduzido por João Baião são mais do que evidentes. "Vi o genérico do programa, o cenário é muito idêntico, a música é igual e cantada de uma forma parecida e mantém o dinamismo. Apesar de não ter um olhar muito profundo, senti-me numa verdadeira viagem no tempo, senti até uma ponta de saudades", conta o agora - de novo e após passagem pela RTP1 - rosto dos domingos de Carnaxide. E João Baião acrescenta, entre risos: "Senti uma pontinha de ciúmes... estou a brincar! Mas senti saudades, sou muito saudosista.". À Notícias TV, João Baião revela que não teve oportunidade de conhecer o apresentador angolano, Teka Kanga, ou de ver o projeto mais de perto, mas diz que o produtor e atual administrador executivo o preparou para este projeto. "O Ediberto já me dizia que ia fazer o Big Show em Angola, mas não pensei que fosse tão igual. E nem sequer haverá ponto de comparação porque somos duas pessoas e cada uma tem a sua forma de apresentar.". Na verdade, Ediberto Lima nunca escondeu que gostaria de exportar o projeto, como recorda, aliás, o futuro apresentador das tardes de Carnaxide e ator na novela da SIC, Mar Salgado. "Falámos por mensagem durante os processos de trabalho e ele sempre disse que gostava de levar o programa para o Brasil", lembra, recordando que entre 1995 e 2001 também era recorrente o rumor de que o original de Big Show SIC vinha do outro lado do Atlântico. "Na altura falava-se do Chacrinha [que esteve na extinta TV Tupi, TV Rio e na TV Globo], que tinha conteúdos semelhantes ao que fazíamos, mas nunca achei que os formatos fossem semelhantes", reitera, lembrando que o formato lusitano "era à medida da realidade portuguesa". "Posso sentir orgulho em termos criado aquela filosofia", analisa João Baião. Apesar das diversas tentativas, não foi possível chegar à fala com o produtor Ediberto Lima, que não terá manifestado, adiantaram à nossa revista, interesse em conceder entrevistas para já. Quanto ao apresentador da TV Zimbo, Teka Kanga, também não foi possível obter qualquer declaração.. No site da própria estação é agora possível encontrar vídeos dos vários programas já exibidos e tal abre portas para que possamos ficar a saber que o formato angolano tem, como tinha o português, "big banda, bailarinas, movimento e alegria".. Mais, de ritmo agitado, Teka Kanga também salta animadamente como fazia o apresentador português. "No meu caso, foi uma coisa que surgiu naturalmente, não fizemos ensaios. A única coisa que tinha era acesso ao guião do programa, entrava numa arena com público aos gritos e foi dessa forma que o programa foi surgindo e tudo fluía de maneira natural e autêntica", recorda João Baião, considerando que "acabou por ser tanto um divertimento para o público como para a equipa que o fazia".