Música. Extreme tocam hoje à noite no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.Concerto assinala arranque da digressão europeia do grupo.Os Extreme regressam hoje aos palcos portugueses, para apresentar o recente Saudades do Rock, o quinto disco de originais da banda de Nuno Bettencourt. Apesar de ter abandonado Portugal quando ainda era muito novo, o músico, nascido há 42 anos na ilha Terceira, nunca esqueceu completamente o País. Esta relação fica patente não só no título do novo registo, ou na forma como o músico fala do País, mas também na escolha de Lisboa para arrancar a digressão.."Eles queriam começar a digressão na Alemanha", admite. "Até já tinham as datas planeadas, mas eu disse que não era uma opção. Tínhamos de começar em Lisboa, não só porque é muito importante para mim mas também porque precisava de ensaiar aí." A banda passou, por isso, uma semana no estúdio de Rui Veloso, para preparar a nova digressão..E se Bettencourt continua a ser o único a admitir que se "sente mal se não visitar Portugal pelo menos duas vezes por ano", já não é o único elemento do grupo com uma ligação ao País. Quando o grupo regressou, o baterista Paul Geary, foi substituído por Kevin Figueiredo, um lusodescendente que acompanha o português desde os tempos dos Population 1.."[O Paul] nunca foi uma opção", explica. "Adoro tocar com o Kevin, não só por causa daquilo que faz com as músicas novas mas também pelo modo como melhora as antigas." Apesar de não tocar com o grupo, Geary continua ligado aos Extreme. "Agora é um manager de sucesso. Trabalha com os Smashing Pumpkins, com os Godsmack, e mesmo connosco.".Saudades de Portugal.Saudades do Rock, o título do novo álbum, une "algo tão internacional como o rock, que tem o mesmo significado em Inglaterra, na Alemanha ou em Portugal, com saudades, uma palavra muita especial, que só existe na língua portuguesa". O guitarrista explicou, porém, que nunca quis impor um título português. "Estava a falar com um amigo meu, em Portugal, e disse que tinha saudades do rock. Estava a meio do processo criativo e pensei que a expressão resumia precisamente a ideia do novo disco."."O título deste disco refere a saudade, as Saudades do Rock, mas também as que tenho de Portugal", refere. "Assim que aterro sinto que mudo física e psicologicamente, sinto-me seguro." Talvez por isso, Nuno Bettencourt espera um dia regressar definitivamente ao País. O virtuoso guitarrista também admira a música portuguesa, apesar de "não conhecer muitas bandas novas". "Uma coisa que me atrai na canção portuguesa é que revela sempre uma certa tristeza, isso acontece até no rock'n'roll. Não sei descrevê-lo.".Esta influência lusa pode ser atribuída à sua família, que sempre cultivou uma grande tradição musical. "Era o mais novo de dez crianças numa família que adorava música. A minha mãe cantava, o meu pai tocava alguns instrumentos, assim como os meus irmãos, enquanto as minhas irmãs dançavam", explica. "Era interessante entrar e sair dos quartos e estar sempre a ouvir música diferente.". Hoje, a partir das 21.00, os Extreme sobem ao palco do Coliseu de Lisboa. Bettencourt, o vocalista Gary Cherone, o baixista Pat Badger e Kevin Figueiredo vão revisitar os momentos mais marcantes da sua carreira, e entre os temas tocados não poderá faltar a incontornável More than Words, que hoje o guitarrista considera "uma bênção", apesar de há menos de dez anos se ter cansado de interpretá-la. "Vamos tocar duas os três canções de cada disco. Não há nada pior que ver uma banda com alguma historia subir ao palco e tocar apenas coisas novas."