Novo percurso pedestre mostra biodiversidade desconhecida
"As pessoas pensam que não há biodiversidade, mas há." As palavras são de José Sá Fernandes, vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Lisboa, que ontem inaugurou a Rota da Biodiversidade - o primeiro percurso pedestre homologado em Lisboa e que liga Monsanto à zona ribeirinha, numa extensão de 14 quilómetros.
São 18 os pontos assinalados num caminho que, pela primeira vez, reúne três vertentes da capital: as árvores classificadas da Mata de Monsanto, a zona ribeirinha e o património.
O percurso inicia-se no Módulo Ambiente, em Belém (Jardim Vasco da Gama), onde é possível obter o material de apoio necessário à exploração, que pode ser feita a pé ou de bicicleta. O fim é 14 quilómetros depois, na Rua dos Jerónimos, depois de uma passagem por Monsanto e por vários monumentos da cidade, como o Palácio Nacional da Ajuda.
Ao longo do caminho, existe ainda, em cada ponto, um painel informativo com a flora e a fauna daqueles locais. Também os folhetos distribuídos no Módulo Ambiente contêm essa informação.
O projecto, da responsabilidade da Divisão de Educação e Sensibilização Ambiental (DESA) da autarquia, insere-se nas comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade e contou com a colaboração, entre outros, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).
Maria da Luz Mathias, professora daquela instituição, manifestou, na cerimónia de ontem, a surpresa da equipa da FCUL perante os resultados obtidos. E sublinhou a particularidade do percurso lisboeta, que considerou "muito bem escolhido pela DESA", aliando nos 18 locais de passagem "valores ambientais e históricos".
Foi precisamente a importância histórica da geologia da cidade de Lisboa que o professor Galopim de Carvalho, ex-director do Museu de História Natural, sublinhou na sua intervenção de ontem. "Se não houvesse geodiversidade, não haveria biodiversidade." Do percurso agora inaugurado, faz mesmo parte um geomonumento - o do Rio Seco, Ajuda, "um afloramento rochoso, que remonta ao Cretácico Superior, tendo entre 90 e 95 milhões de anos", lê-se no folheto, também disponível online.
José Sá Fernandes viria mesmo a afirmar que o "geomonumento é vital para compreender a cidade". Por isso, de acordo com o vereador, já está, neste momento, a ser preparado um roteiro da geodiversidade de Lisboa, que envolverá, para além dos geomonumentos, o Museu Geológico e o Museu de História Natural.
Ainda este ano, vai também ser concluído o Guia de Monsanto, em que estarão marcados todos os percursos daquela área, permitindo criar mais rotas. A próxima a ser marcada deverá mesmo ser a do corredor de Monsanto (que deverá ficar pronto para o ano), desde a Avenida da Liberdade até àquele local, revelou José Sá Fernandes.
Com estas medidas, a par do início da construção do maior parque hortícola da capital, no Vale de Chelas, e do desvio dos esgotos que agora desaguam no Tejo, o vereador acredita que, até 2020, será possível ultrapassar a meta estabelecida de mais de 20% de biodiversidade na cidade de Lisboa.
Na cerimónia de ontem, José Sá Fernandes afirmou mesmo que Lisboa vai em sentido inverso de outras cidades mundiais, onde o Ano da Biodiversidade foi um "fracasso", e que "Lisboa está num bom caminho" .
A inauguração terminou com a libertação de várias gaivotas, junto ao rio Tejo (ver caixa).

