Nova Zelândia afasta África do Sul e está na final do Mundial

All Blacks venceram os Sprigboks, em Twickenham, por apertados mas justos 20-18, e vão disputar no sábado a sua quarta final
Publicado a
Atualizado a

A épica meia-final desta tarde entre os dois maiores colossos do râguebi mundial decorreu sob chuva inclemente na 2.ª parte e manteve os 80.090 espetadores, que quase esgotaram o estádio de Twickenham, ansiosamente presos às cadeiras até ao apito final.

Com este triunfo (o 13.º consecutivo na prova, novo recorde) os All Blacks, que conseguiram os únicos dois ensaios do encontro, marcaram lugar na sua quarta final (em oito edições do Mundial), segunda consecutiva - e primeira no hemisfério norte -, podendo assim aspirar a tornar-se a primeira seleção a conquistar dois títulos mundiais consecutivos.

De acordo com o esperado a África do Sul utilizou preferencialmente o jogo pela sua possante avançada frente a neozelandeses que, sempre que podiam, expandiam o seu jogo. E através de uma defesa impenetrável e de um notável rigor tático, os Springboks até chegaram ao intervalo na frente, por 12-7, graças a quatro penalidades do chutador Handré Pollard.

O único ensaio do 1.º tempo foi neozelandês e surgiu logo aos 7 minutos na resposta ao melhor início sul-africano (3-0 por Pollard logo aos 3 minutos). No seu primeiro lance de ataque, o capitão Richie McCaw descobriu, pelo lado fechado, Jerome Kaino que escapou com hand-off à placagem de Lood de Jager, fazendo o ensaio inaugural (7-3).

Duas faltas neozelandesas permitiram a Pollard virar o resultado (9-7), que se manteve praticamente até ao intervalo, pois Daniel Carter acertou no poste uma penalidade que poderia dar a liderança aos 32 minutos.

E quando já se suspirava pelo descanso num duelo que fatigava até os próprios espetadores uma falta infantil de Kaino nas barbas do árbitro, o francês Jérome Garcès, levou-o 10 minutos para o sin bin. E, para piorar as coisas para os campeões do mundo, Pollard não desperdiçaria o pontapé numa 1.ª parte com predominância all black - 72% de domínio territorial, obrigando os adversários a fazer o dobro das placagens - mas com vantagem springbok, penalizando as muitas faltas de neozelandeses que pareceram sempre mais nervosos, ansiosos e influenciados pela relevância do momento.

Sintomaticamente, e apesar da muita chuva, os All Blacks regressaram largos minutos mais cedo ao relvado que os rivais e logo se percebeu que a conversa com a equipa técnica nos balneários dera resultado. Logo aos 46" Carter convertia um estranho pontapé de ressalto - apenas o 7.º da carreira de 1579 pontos do melhor marcador da história do râguebi internacional - e logo a seguir uma longa sequência de fases be mdentro da área de 22 sul-africana iniciada por um roubo de bola de Carter a Schalk Burger, criava o segundo dos neozelandeses. Notável linha de corrida de Ma"a Nonu ao receber a bola e depois a forma como queimou dois rivais e deu no momento exato para o recém-entrado Beauden Barrett virar para 17-12, é para ficar num compêndio de bem jogar.

Desse lance resultaria um amarelo a Bryan Habana por adiantado voluntário e apesar de Pollard aos 58" ter reduzido (17-15), a seleção sul-africana continuava a não arriscar o mínimo que fosse (o formação Fourie du Preez prendeu muito o jogo à volta da avançada, que desta feita não teve uma 3.ª linha tão dominadora como é habitual e foi penalizada por isso), não conseguia pisar a área de 22 contrária... e os pontas Habana e JP Pietersen podiam ter ido tomar algo quente no bar do estádio, pois ninguém lhes passou a bola no 2.º tempo. E assim não se vence uma equipa como esta Nova Zelândia que falhou tão-só 3 placagens nos 80 minutos!

Carter e Lambie (que rendeu o lesionado Pollard, bem castigado pelo 'pack' contrário) trocaram pontapés de penalidade (20-189. E quando aos 63" uma falta neozelandesa de fácil conversão foi (bem) revertida pelo árbitro por placagem ao pescoço do entrado Victor Matfield, todos perceberam que a indisciplina sul-africana ia custar a derrota, até porque os All Blacks, nos últimos minutos, meteram os Springboks num apertado colete-de-forças, do qual estes não conseguiram nunca soltar-se.

Amanhã também em Twickenham realiza-se a segunda meia-final (16.00) com Austrália e Argentina a lutarem pelas presença na final de sábado. Para os australianos será a quarta vez que atingem o jogo decisivo, enquanto que para os Pumas será uma estreia absoluta.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt