Nova ponte copia a Vasco da Gama

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A terceira travessia sobre o Tejo, entre Chelas e o Barreiro, vai copiar o modelo de concessão em vigor na Ponte Vasco da Gama, explorada pela Lusoponte. Tiago Rodrigues, responsável da Rave - Rede de Alta Velocidade, disse ao DN que tudo indica que o modelo a adoptar será semelhante ao da Vasco da Gama. O modelo de financiamento da futura travessia vai ficar concluído até ao final do primeiro semestre de 2007.

A Rave terá ainda de definir se a travessia será na primeira fase apenas ferroviária ou se avança já com a componente rodoviária. A concessão poderá obedecer a várias fórmulas: a exploração ferroviária e a rodoviária isolada, ou em conjunto.

No global, a ponte custará 1,7 mil milhões de euros, com a parte rodoviária. Deste valor, 600 milhões correspondem à alta velocidade. A ponte terá duas vias para servir os comboios de alta velocidade, em bitola europeia, e duas vias ferroviárias em bitola ibérica para servir os comboios de mercadorias e os serviços de suburbanos. O projecto contempla ainda a construção de duas vias laterais com três faixas para o tráfego rodoviário em cada sentido. O corredor para a sua construção está reservado há vários anos.

A exploração ferroviária tem já um grupo interessado. O Grupo Barraqueiro, através da sua empresa para o sector ferroviário, a Fertagus, demonstrou interesse junto do Governo para gerir a infra-estrutura, que irá permitir completar a ligação da cintura urbana de Lisboa, dando resposta às necessidades da margem Sul , além de colmatar as restrições de carga existentes na ponte 25 de Abril.

A construção da ponte para o modo rodoviário terá de ser negociada com a Lusoponte, que tem o exclusivo das travessias sobre o Tejo abaixo de Vila Franca de Xira. Em causa estão as portagens a pagar na exploração rodoviária. Maria Cândida Carvalho, porta-voz da Lusoponte, disse ao DN que os estudos de tráfego desenvolvidos pela empresa, com o objectivo de estudar a melhor solução para descongestionar a ponte 25 de Abril, não é o corredor Chelas/Barreiro, mas sim Algés/Trafaria, e o Governo foi informado disso. Contudo, face à decisão de avançar para a solução Chelas/Barreiro, a Lusoponte, "vai estudar o projecto". Mas até à data, adiantou: "a Lusoponte ainda não foi formalmente contactada pelo Governo".

Nos termos do contrato de exclusividade assinado com a Lusoponte, o Governo não poderá entregar a concessão da terceira travessia a outra entidade. Por seu lado, a Lusoponte poderá ser obrigada a receber a concessão, apesar de considerar que o corredor Chelas/Barreiro não vai resolver os congestionamentos da ponte 25 de Abril.

A futura ponte terá uma extensão de treze quilómetros, dos quais sete sobre o rio, e a sua realização vai viabilizar o tempo de percurso acordado com Espanha para a ligação entre Lisboa e Madrid, fixado em 2h45m. A travessia dará acesso à estação de alta velocidade de Lisboa, cuja localização continua a ser estudada. Em causa estão duas soluções: gare do Oriente ou nova estação em Chelas/Olaias.

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