Notícias falsas do Facebook deram vitória a Trump? Há quem diga que sim

Facebook tem sido fortemente criticado pela grande quantidade de notícias falsas que circularam na rede social durante a campanha
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O Facebook tem estado sobre fogo nos últimos dias após terem surgido acusações de que a rede social foi responsável pela vitória de Donald Trump. Isto porque muitos acreditam que as notícias falsas que circularam nesta plataforma durante a campanha influenciaram a opinião dos eleitores.

Mark Zuckerberg negou e descartou esta "ideia louca" no sábado, dizendo que "de todo o conteúdo do Facebook, mais de 99% do que as pessoas veem é autêntico". O fundador da empresa disse ainda que estava orgulhoso pela rede social ter dado "uma voz às pessoas nesta eleição".

Apesar do argumento de Zuckerberg, o Facebook tem sido criticado por não verificar melhor ou impedir a circulação de notícias falsas. É de realçar que, segundo o Pew Research Center, 62% dos americanos recebe toda ou parte da informação através de notícias partilhadas nas redes sociais. O Facebook é a rede social que mais mantém os americanos informados.

Nos últimos meses, utilizadores têm publicado nas redes sociais títulos de notícias falsas que encontraram no Facebook. São frases como "Michelle Obama nasceu um homem", "E-mails de Obama revelam que ele manipulou eleições de 2008 com ajuda de Bush", "Estados Unidos admitem que cannabis cura o cancro", e "Obama diz que vai mudar-se para o Canadá caso Trump vença". Só esta última notícia foi partilhada mais de 90 mil vezes no Facebook, segundo o utilizador que denunciou o caso.

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Há ainda as duas notícias que se tornaram virais e um símbolo do problema, pois poderão ter influenciado muitos eleitores. A notícia que dizia que o Papa Francisco apoiava Donald Trump e a que revelava que um dos agentes do FBI que investigava os e-mails de Hillary Clinton tinha morrido.

O método criado pelo Facebook para garantir a autenticidade das páginas parece ter-se tornado outro empecilho. Embora este sistema confirme apenas que tal página pertence a tal figura pública, empresa ou jornal, muitos utilizadores interpretaram como uma confirmação de que tudo o que era publicado naquela página era verdadeiro.

Um exemplo é a conta oficial do jornal American News, que exibe o símbolo "página verificada". No entanto, grande parte das notícias são falsas. Títulos como "Obama instaura lei marcial e não vai sair do poder", "Polícia de Dallas vai processar movimento Black Lives Matter" e "Inocente pai de 4 filhos morre devido a atos imprudentes de manifestantes anti-Trump" foram publicados nesta página esta quarta-feira.

Só a notícia "Denzel Washington apoia Donald Trump" recebeu 70 mil gostos e foi partilhada 20 mil vezes e a que dizia "Michelle Obama tenta fechar todos os museus porque são 'apenas para pessoas brancas'" foi partilhada mais de três mil vezes.

O Facebook continua a tentar lutar contra as notícias falsas e a confirmar factos publicados na rede. Esta batalha está também a ser travada pela Google e esta semana as duas empresas anunciaram que iriam cortar os seus anúncios - a forma de rendimento mais comum de blogs e sites - a plataformas que divulgarem notícias falsas.

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