O ex-presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Noronha do Nascimento, e o ex-Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, foram duas das personalidades que marcaram presença no lançamento do livro do ex-primeiro-ministro, que decorreu na passada quarta-feira, em Lisboa.."Essa presença revela uma proximidade com a pessoa que apresentou o livro que manifestamente torna desadequada a intervenção anterior", disse Paulo Penedos à saída do tribunal, lembrando que os dois magistrados estiveram envolvidos na destruição das escutas entre José Sócrates e o arguido Armando Vara, realizadas no âmbito do processo "Face Oculta".."Como eu não acredito que essas pessoas tenham descoberto anteontem (quarta-feira) que eram próximas do engenheiro José Sócrates, é óbvio que à data em que intervieram no processo se deviam ter declarado impedidos de o fazer", afirmou o arguido..Paulo Penedos, que está acusado de um crime de tráfico de influências, adiantou ainda que a matéria das escutas não está fechada no julgamento principal, defendendo o "acesso pleno das defesas a todos os meios que estiveram na disponibilidade de quem acusou"..Nas escutas feitas durante a investigação do caso "Face Oculta" foram intercetadas, pelo menos, 11 conversas entre o arguido Armando Vara e o ex-primeiro-ministro José Sócrates, tendo o então Procurador-Geral da República considerado que o seu conteúdo não tinha relevância criminal e o então presidente do STJ decretado a sua nulidade e ordenado a sua destruição..No entanto, existem cinco 'produtos de voz' (gravações) e 26 mensagens de telemóvel (SMS) que escaparam a esta ordem de destruição dada em dezembro de 2010 e que se encontram guardados num cofre do tribunal de Ovar..Há cerca de um ano, o juiz presidente do coletivo que está a julgar o caso "Face Oculta" disse que essa destruição ocorreria "oportunamente", o que ainda não se verificou..Entretanto, o depoimento do arguido José Magano Rodrigues, que estava marcado para hoje, ficou adiado para 14 de novembro..A defesa de Magano Rodrigues, que está acusado de dois crimes de participação económica em negócio, pediu o adiamento da audição do engenheiro da Refer para poder consultar novos documentos que foram entregues pela empresa que se constituiu como assistente no processo..O processo "Face Oculta" está relacionado com uma alegada rede de corrupção, que teria como objetivo o favorecimento do grupo empresarial do sucateiro Manuel Godinho, nos negócios com empresas do setor empresarial do Estado e privadas..Entre os arguidos estão Armando Vara, antigo ministro e ex-administrador do BCP, José Penedos, ex-presidente da REN, e o seu filho Paulo Penedos.