Nikon Z9. Adeus obturador, olá super rapidez

Novo modelo apresenta características superiores ao melhor que o mercado equivalente oferece: uma máquina sem espelho que abdica do obturador mecânico para uma velocidade, para já, imbatível. Uma muito agradável surpresa de uma marca que parecia estar a perder perder algum gás...
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Marca eternamente mítica da fotografia profissional, e perfeccionista, a Nikon tem no entanto, nos últimos anos, perdido terreno para a concorrência no segmento das câmaras sem espelho (mirrorless).

Segundo um relatório publicado no Business Journal, apesar de a marca nipónica manter uma confortável segunda posição de quota de mercado nas câmaras DSLR (reflex, com espelho) no seu país natal, surgia num longínquo quinto lugar nas máquinas mirrorless, com apenas 7,5% de market share.

Isto no segmento que mais tem crescido nos últimos tempos, liderado pela Sony e pela Canon que, com os modelos Alpha 1 e EOS R3, oferecem produtos de qualidade absolutamente indiscutível. Ao mesmo tempo, tanto a Olympus como a Fuji (as marcas em terceiro e quarto lugar na referida tabela) surgem no Japão -- e não só -- a fazer concorrência, com muitos profissionais a olhar para os seus equipamentos como alternativas, até pela boa relação qualidade-preço que os seus artigos oferecem.

Mas na passada sexta-feira, a Nikon lançou uma pequena bomba neste cenário. A Z9, com o seu sensor full frame CMOS de 35,9 mm x 23,9 mm, iguala ou ultrapassa a concorrência quase ponto por ponto. E é a primeira a trazer para este segmento um detalhe que, curiosamente, os nossos telemóveis já fazem há muito -- só que aqui traz uma pequena grande diferença...

Isso mesmo. A Z9 é a primeira câmara do seu tipo a abdicar por completo de um obturador mecânico. Algo que as câmaras dos telemóveis já não têm quase desde sempre, mas que, por questões técnicas, as máquinas profissionais continuavam a preferir (necessitar, em certos casos).

O resultado é uma velocidade de reação incomparável: 1/32.000 de velocidade de disparo, que lhe permite 20 frames por segundo (fps) em "burst", em formato RAW, ou 30 em JPG na resolução total (45,7 milhões de píxeis) ou 120 fps a 11 megapíxeis. Tudo sem fazer um único ruído de funcionamento. Nenhuma outra máquina deste tipo no mercado atualmente promete este desempenho, ideal para captar imagens de desporto, por exemplo, ou de natureza.

Na realidade, o que se passa "debaixo do capô" é um grande processamento das imagens -- grosso modo existe um buffer gigantesco (1000 fps compactados) que armazena imagens ainda antes de o fotógrafo ter carregado no botão e prossegue com a captação alguns segundos mesmo depois de este ter parado, havendo de seguida inevitavelmente tratamento digital do conteúdo captado. Mas afinal, a fotografia digital é isto mesmo: aquilo que se passa é muita "magia" matemática. Se quisermos exclusivamente capturar os "fotões da natureza num dado momento do tempo" temos mesmo que nos ficar pelo analógico...

Ainda que à data de lançamento da Nikon Z9, a captação de vídeo esteja "limitada" à resolução de 8k a 30 fps -- em HDR 10 bits, naturalmente --, uma atualização de firmware prometida para o próximo ano deverá elevar este desempenho para 60 fps, em HDR 12 bits, o que é superior ao que oferece a concorrência.

A marca promete ainda que será possível gravar nestas resoluções durante duas horas sem que a máquina entre em sobreaquecimento, desde que a temperatura ambiente esteja "normal".

Estes ficheiros podem ser diretamente gravados em H.264 ou H.265, o que é prático por questões de compatibilidade. Além disso, podem também ser gravados no eficiente codec ProRes 422 HQ, que é prático para editar diretamente na câmara.

O autofocus da Nikon -- desde tempos imemoriais uma das melhores características das máquinas de topo da marca nipónica -- faz 120 cálculos por segundo, exatamente o mesmo que a Sony A1, a atual referência do mercado.

Internamente o corpo tem um novo sistema de estabilização de imagem, que combina estabilizador na lente com métodos aplicados aos sensores, que a marca chama de "vibration reduction", ou VR.

Quanto a lentes, este corpo é diretamente compatível com as objetivas Nikkor Z, existindo para já as 70-200m F/2.8, Z MC 105mm f/2.8 VR e a igualmente apresentada esta sexta-feira Z 100-400mm F/4.5-5.6 VR S. No entanto, também é possível utilizar algumas objetivas Nikkor de encaixe tipo F, com um adaptador.

Falta referir o preço.... cerca de 5500 euros, mais impostos. Se lhe parece muito, é porque não está familiarizado com os valores que estes pequenos enormes monstros da imagem podem atingir. E este é sem dúvida um que merece, se possível, entrar na sua lista de desejos, se quer elevar a foto digital na sua vida a um outro patamar.

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