Nasceu a quinta potência militar

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O aumento de 54 mil milhões de dólares em gastos militares anunciado por Donald Trump iguala o PIB de países como o Panamá ou o Uruguai. E se fossem tidos em conta só por si, disputariam com o Reino Unido o estatuto de quinta potência militar mundial. Garante ainda que o fosso entre os orçamentos militares americano e chinês, que tem vindo a ser reduzido pouco a pouco pelos governantes de Pequim, desta vez volta a alargar-se. Sintetizando, Trump aposta fortemente nas forças armadas, como aliás deixou bem claro que faria durante a campanha presidencial. Faz parte da sua estratégia para tornar a América grande de novo, como prometia quando ainda era apenas o candidato republicano à Casa Branca.

Acontece que não é só pela força das armas que um país se impõe no mundo. Aliás, Barack Obama chegou a dispor de orçamentos militares superiores ao que Trump quer. Como bem sabem os americanos, a sua influência no mundo tem muito que ver com o tal poderio militar, por isso ganharam as duas guerras mundiais e desfizeram literalmente a União Soviética durante a Guerra Fria, mas também porque propõem um modelo de sociedade democrático atrativo, ditam padrões de consumo globais desde o desporto à tecnologia e possuem graças ao cinema, à música e à literatura a mais fantástica exibição de soft power de que há memória.

Não por acaso, 120 antigos generais e almirantes de alta patente, incluindo nomes como David Petraeus, vieram já contestar numa carta ao Congresso a aposta total na Defesa e os cortes cegos na Diplomacia, com o departamento de Estado a ver os programas de ajuda externa afetados. Avisam as altas patentes que antes das armas vem a diplomacia, pois antes de enviar americanos para a frente há que fazer tudo para evitá-lo.

Petraeus, quando comandava as operações no Iraque, soube como criar alianças com as tribos locais. Por acaso, Jim Mattis, atual secretário da Defesa, também percebeu a importância do diálogo quando combateu igualmente no Iraque. Terá explicado ao presidente que não há só uma maneira de ganhar as guerras?

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