NÃO CHAMEM PALHAÇO AO ALBERTO JOÃO, NÃO

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Um cronista do Expresso, Daniel Oliveira, chamou palhaço a Alberto João Jardim. Alberto João Jardim, o mesmo que já chamou "delinquente" a Edite Estrela, "Sr Silva" a Cavaco, praticamente tudo a toda a gente e "bastardos" e "filhos da puta" aos jornalistas em geral, acha que não é palhaço. Mais, acha que chamarem-lhe palhaço é mau. E processou. Um tribunal do Funchal julgou. E julga que o presidente do Governo Regional da Madeira tem toda a razão, condenando Daniel Oliveira, por "difamação", a pagar dois mil euros ao presidente.

Alberto João esperou pelo aniversário dos seus 30 anos à frente do Governo Regional da Madeira - esta semana - para fazer um comunicado a anunciar a condenação do cronista. Daniel Oliveira, pelo seu lado, provavelmente por achar que chamar palhaço a Alberto João é justo e justificável e portanto que a sentença o não é, já anunciou que vai recorrer. Entretanto, na Internet, surgiu uma petição, cuja autoria é atribuída a um tal de Sindicato dos Trabalhadores Humorístico-Circenses, dirigida "aos directores do Expresso", exprimindo "o mais veemente repúdio" em relação à crónica de Oliveira e exigindo "um pedido de desculpas a toda a classe dos Palhaços que de forma tão vil enxovalharam com esta comparação ofensiva". Quer dizer: há quem ache que injurioso injurioso é chamar Alberto João Jardim aos palhaços.

Claro que se uma pessoa vai ao dicionário ver o que quer dizer palhaço e lê "personagem cómica e burlesca de circo que diverte o público com facécias, anedotas, etc; arlequim; saltimbanco; bobo", só pode perguntar: "E o Alberto João nunca me fez rir? Quando chama nomes a torto e a direito não está a tentar ser engraçado?" Confesso já, e sem tortura: acho o Alberto João altamente cómico. Um bocado trágico, também, mas sobretudo cómico. Se é crime, olha, paciência, vou de cana. Mas logo eu, que até já entrevistei, com foto e tudo, uma honrada família lisboeta de apelido Palhaço (há muitas no País, presume-se que na Madeira também) . E que já li a sentença de 2007 do Tribunal da Relação do Porto em que se aprecia o substantivo do ponto de vista penal, para concluir: "E mesmo concordando com a pergunta/afirmação do assistente, quando refere que 'com toda a certeza não há ninguém que não se considere injuriado por lhe apelidarem palhaço, a não ser provavelmente os palhaços' nem por isso a expressão adquire dignidade penal: é subjectivamente relevante mas não é suficiente para despoletar a intervenção do direito, porque não é socialmente relevante." Posso então julgar com segurança não ser certo que se não possa chamar palhaço a Alberto João Jardim. Difícil difícil é decidir se será rico ou pobre - e não serão os dois mil euros de Daniel Oliveira a fazer a diferença.|

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