Há um programa televisivo americano em que põem carvão e lume logo no título, Comedy Central Roasted. A ideia é colocar o convidado, sempre uma personalidade, no assador. Nada é poupado e os seus vícios e maleitas são o assunto preferido. Carrie Fisher foi lá há quatro anos e ouviu um dos seus amigos dizer que ela era a única celebridade cujo action figure (o boneco que ilustra um personagem de ação, como o Batman ou o Super-Homem) era pior do que ela própria. Deve ter sido dos mais suaves insultos acontecido na Comedy Central Roasted..E, de facto, a Princesa Leia, tão chorada pela multidão de fãs saudosos da sua própria mocidade, é uma figura apagada comparada com a extraordinária pessoa que foi Carrie Fisher. É preciso ser um sapo extraterrestre como Jabba the Hutt para se extasiar pela delambida princesa com o seu biquíni metálico dourado. Até Harrison Ford gostava mais de Carrie do que o Han Solo da princesa - pelo menos as cenas foram mais escaldantes nos motéis, no intervalo das filmagens, do que durante as viagens espaciais a caminho de uma qualquer Guerra das Estrelas. Não estou a cuscar, cito a autobiografia de Carrie Fisher..A primeira vez que vi uma foto dela, ela não estava lá. No relvado fronteiro de uma casa californiana, uma bela loura, daquelas louras só lindas, não provocante como Lana Turner e Kim Novak. Sei o ano, 1959, o meu pai tinha acabado de comprar um Chevy Bel-Air, o que me deu para me interessar pelas coisas californianas como louras e relvados. Esta loura posava com um alfinete de bebé na blusa, que remetia para o não visto: lá dentro, na casa, estava Carrie, 3 anos, e o irmão, o bebé Todd. Todd porque o melhor amigo dos pais era Mike Todd, produtor de cinema (já adivinharam, o cenário é Hollywood), que morrera há pouco em desastre de aviação. Debbie Reynolds e Eddie Fisher decidiram guardar o nome do amigo, e Eddie foi mais longe na homenagem: mudou-se para a casa da viúva, Liz Taylor, para a consolar..Tem graça como a autobiografia de Carrie veio confirmar-me a foto. Ela, que me nascera ali, no lado obscuro daquela foto, fora parida também assim. Ela descreve os médicos na sala de parto, à volta da mãe: "Oh, olhem a Debbie Reynolds a dormir, como é bonita." E as enfermeiras, olhando pai: "Oh, olhem Eddie Fisher, o crooner..." Resultado, quando Carrie nasceu ninguém estava à espera dela. Na segunda metade dos anos 50, os pais eram o casal da América, Debbie, a atriz e dançarina à chuva, ele o cantor com mais vendas. Some-se a isso o escândalo do divórcio e fica uma infância negada.