A primeira mulher a chegar ao cargo de ministra da Defesa é hoje entrevistada no DN e na TSF. Não nasceu no berço da elite lisboeta ou na Foz do Porto, mas em Portalegre. Não é licenciada em Ciência Política, nem Filosofia, mas em Sociologia. Não veste farda, mas traje feminino. Helena Carreiras é mais um exemplo de que é possível quebrar os tetos de vidro que travam a ascensão das mulheres, mesmo em áreas marcadamente masculinas. Nesta conversa, afirma que é "a primeira mulher na Defesa, mas gostaria de não ser a última e a marca que queria deixar é que isto se tornasse em algo entendível por todos, como sendo natural que as mulheres estejam nestas posições". O anormal transformar-se-á numa situação comum à medida que o elevador social da formação e da educação funcionar, mas também à medida que à nossa volta as mentalidades e o contexto familiar e profissional se for moldando ao paradigma que deveria sempre ter reinado, o da igualdade de oportunidades..Helena Carreiras é um peixe fora de água, da academia passou para o Executivo e quer deixar marca. Foi à Ucrânia a 24 de fevereiro quando se assinalou um ano da guerra e recorda como a impressionou o cenário de conflito, mas, acima de tudo, a coragem do povo ucraniano. Viu como tentam sobreviver em cenário de catástrofe e enaltece como aquele povo nunca manifesta qualquer queixume face à falta de segurança, de comida, de energia, enfim, à falta de tudo e de todos. São lições da História como esta que nos fazem colocar tudo em perspetiva: os elogios, as críticas, os silêncios..Quando vir apontar o dedo a alguém porque é mulher, porque é católico, muçulmano ou de outra religião, ou porque tem pele negra, branca, amarela ou vermelha não fique indiferente. Fazer parte da sociedade não compreende apenas direitos, mas também deveres para com os outros e para com os seus próprios valores. Infelizmente, nem toda a gente sabe o que isso significa. Cabe também a si mudar o rumo da História..Diretora do Diário de Notícias