Mudança chega a Washington

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Tomada de posse. Barack Obama prestou juramento sobre a Bíblia diante de dois milhões de pessoas. Ao seu lado, estava a mulher, Michelle, vestida de dourado. Enquanto o casal presidencial se instalava na Casa Branca, os Bush partiam para o Texas, onde o ex-presidente vai escrever as memórias

Obama promete que América vai voltar a liderar o mundo

Desde George Washington, em 1789, todos os presidentes dos Estados Unidos repetem as mesmas 35 palavras. Frases que, com certeza, Barack Obama terá repetido vezes sem conta a pensar no momento em que ia prestar juramento na escadaria do Capitólio. Talvez por isso, o primeiro negro eleito para a Casa Branca tenha ficado hesitante quando o presidente do Supremo, que conduzia a sua tomada de posse, trocou duas palavras. Um pequeno incidente num dia histórico. Diante de dois milhões de pessoas reunidas em Washington, o novo presidente proferiu um discurso que primou pela sobriedade. "Hoje digo-vos que os desafios que enfrentamos são reais. São graves e são muitos", admitiu, antes de acrescentar: "Mas agora, América, vamos enfrentá-los".

Foi por detrás de um vidro à prova de bala - apenas uma das muitas medidas de segurança numa cerimónia que contou mais de 40 mil agentes espalhados por Washington - que o 44.º presidente americano pediu aos americanos para escolherem "a esperança em vez do medo". Perante uma plateia onde não faltavam a sua mulher, Michelle, as filhas, Malia e Sasha, bem como os membros da sua nova Administração, entre os quais a sua ex-rival nas primárias democratas e agora secretária de Estado, Hillary Clinton, e os antigos presidentes Bill Clinton, Jimmy Carter e George Bush pai, Obama garantiu que a América está "pronta a liderar de novo".

De fato azul escuro e gravata vermelha, com um frio polar (seis graus negativos, 13 para quem estava ao vento), o novo inquilino da Casa Branca prometeu acabar com as divisões partidárias em Washington para recuperar a confiança dos eleitores.

O primeiro presidente negro dos EUA não esqueceu de referir a luta dos afro-americanos contra a segregação racial. Obama aproveitou para recordar que o seu pai, um queniano que conheceu a sua mãe, americana quando estudava no Havai, "há 60 anos não seria servido num restaurante local". Mas agora, "o seu filho está perante vós e acaba de jurar o mais alto cargo da Nação".

Depois de prestar juramento sobre a Bíblia que pertencera a Abraham Lincoln, o presidente que pôs fim à escravatura no século XIX, Obama manteve presente o espírito do homem que conseguiu manter o país unido ao vencer a Guerra Civil.

As temperaturas negativas não foram suficientes para arrefecer o ambiente dos milhões de americanos que decidiram deslocar-se à capital para ver a tomada de posse de Obama. "Isto é a América a acontecer", confessou Evadey Minott à CNN. Este afro-americano, que viajou de Nova Iorque para Washington na segunda-feira, não escondeu a emoção de ver um negro no cargo mais importante da nação. "Foi profetizado por Martin Luther King que um dia iríamos estar todos juntos. Este é esse dia. Estou feliz. Traz-me lágrimas aos olhos", disse Minott.

A multidão, que esperou horas (alguns passaram a noite no Mall, a alameda frente ao Capitólio) foi mantendo o calor com cânticos, palavras de ordem e danças. As crianças também partilharam da euforia ambiente. Laura Bruggerman, de nove anos, esperava ter uma breve visão do presidente. Foi para isso que viajou desde o Maryland e esperou com a mãe, Wendy, e o pai, Jeff, junto à Pennsylvania Avenue. "Quero ver Obama. É giro. Podia aos meus amigos", confessou.

Depois do almoço no Capitólio e da parada, que terminou a pé, Obama passou a tarde na Casa Branca, antes de terminar o dia com uma passagem pelos dez bailes oficiais organizado na capital. Hoje, começa o trabalho a sério, com reuniões com a chefia militar para discutir o Iraque.

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