Na tensão sempre presente na construção europeia, entre o seu aprofundamento e o seu alargamento, o pêndulo está a deslocar-se claramente para a primeira destas duas forças motoras. Há três sinais recentes que o ilustram. Em primeiro lugar, a Comissão Europeia está a proceder a uma verificação exigente das condições internas na Roménia e na Bulgária com vista à sua apalavrada entrada na União a 1 de Janeiro do próximo ano. Em Bruxelas comenta-se que a recomendação ao Conselho poderá ser negativa quanto à Bulgária, por ausência de progressos suficientes na reforma do sector da justiça e no combate à corrupção. Em qualquer caso, depois de formado o clube a 27, tão cedo não se afiguram prováveis novos ingressos.. Em segundo lugar, o compromisso orçamental para o período entre 2007 e 2013 atingido, ao fim de oito horas de cedências recíprocas, entre a presidência austríaca, o Parlamento Europeu e a Comissão, aumentam, ainda que em montante reduzido, as verbas para as novas políticas - ciência, ambiente, infra-estruturas transeuropeias -, mas, acima de tudo, reforça o compromisso político de rever, a partir de 2008, a estrutura do próprio Orçamento da UE. O que está aqui em causa é rever de alto a baixo a Política Agrícola Comum e as forças que defendem um desmantelamento mais rápido da protecção a esse sector marcaram pontos com este compromisso.. Finalmente, a pressão acrescida contra as golden shares do Estado português por parte da Comissão Europeia, a uma velocidade que terá mesmo surpreendido o Terreiro do Paço, indicia uma vontade política por parte de Durão Barroso e da sua equipa de remover os obstáculos aos investimentos cruzados de primeira grandeza no mercado interno europeu. Para as principais empresas nacionais isso só pode significar uma maior vulnerabilidade perante um movimento, de novo em crescendo, de fusões e aquisições na Europa. C