Moscovo já mobilizou os 300 mil reservistas

Ministro diz que 82 mil já estão no terreno na Ucrânia. Zelensky diz que cortes de luz afetam quatro milhões.
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Moscovo revelou esta sexta-feira ter atingido a meta de mobilização de 300 mil reservistas anunciada pelo presidente russo, Vladimir Putin, a 21 de setembro. O ministro da Defesa, Sergei Shoigu, disse que 82 mil já estão na Ucrânia, metade dos quais destacados em unidades militares. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, diz contudo que estes estão "mal treinados e equipados". Os reforços russos chegam numa altura em que terminou a retirada dos civis da ocupada Kherson - que Kiev compara às deportações forçadas dos tempos soviéticos - na expectativa da batalha pelo controlo da cidade.

A idade média dos 300 mil reservistas é de 35 anos, segundo o ministro russo, que assumiu dificuldades iniciais em equipar os homens - entretanto já ultrapassadas. Shoigu indicou ainda que houve cerca de 13 mil russos que, "sem serem chamados, expressaram o seu desejo de cumprir o seu dever e foram enviados para se juntar às tropas como voluntários". A mobilização dos reservistas levou também muitos jovens a fugir da Rússia - pelo menos 200 mil foram para o Cazaquistão, havendo quem diga que saíram, no total, 700 mil .

Os serviços de informação militares britânicos confirmam a chegada à Ucrânia de alguns reservistas para reforçar as unidades a oeste do rio Dniepre, mas deixam claro que estas estão a funcionar nos mínimos. "Em setembro de 2022, oficiais russos descreveram as companhias no setor de Kherson como tendo seis a oito homens cada. As companhias deviam ser destacadas com cerca de 100 elementos", indicaram na sua análise diária.

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De acordo com os britânicos, as forças russas estão a assumir uma "postura defensiva" na maioria das zonas da linha da frente. "Isto deve-se provavelmente a uma avaliação mais realista de que as forças que estão severamente desguarnecidas e mal treinadas só são atualmente capazes de operações defensivas", acrescentaram, indicando que continuam vulneráveis e que para recuperar a iniciativa no terreno precisam de uma nova dinâmica.

Entretanto, à espera dos avanços ucranianos antes da chegada do inverno, os russos preparam-se para fazer finca-pé em Kherson, tendo terminado a retirada de cerca de 70 mil civis. A cidade, onde antes da guerra viviam 288 mil pessoas, foi uma das primeiras a ficar sob controlo de Moscovo, logo no início da ofensiva em fevereiro. Para Kiev, a recuperação do controlo seria uma importante vitória.

O chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, exigiu ao seu homólogo iraniano, Hussein Amir Abdolahian, que o Irão deixe de fornecer armamento à Rússia "usado para para matar civis e destruir infraestruturas críticas na Ucrânia". Teerão estará a fornecer nomeadamente "drones suicidas", com Kiev a revelar que já terá abatido mais de 300.

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Por causa dos ataques às infraestruturas, as autoridades ucranianas avisam que haverá cortes de energia "sem precedentes" na região em redor da capital, de forma a evitar um apagão total. Segundo Zelensky, cerca de quatro milhões de pessoas estão a ser afetadas pelos cortes de energia e as autoridades estão a fazer o que podem para reduzir os apagões.

susana.f.salvador@dn.pt

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