Morreu o antigo ministro das Finanças João Salgueiro

Economista tinha 88 anos. "Portugal perdeu um dos seus mais brilhantes economistas da segunda metade do século XX", afirma Marcelo Rebelo de Sousa.
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João Salgueiro, antigo ministro das Finanças no governo de Pinto Balsemão (entre 1981 e 1983), morreu esta sexta-feira, aos 88 anos, anunciou a Presidência da República.

"Portugal perdeu hoje um dos seus mais brilhantes economistas da segunda metade do século XX", afirma Marcelo Rebelo de Sousa, em comunicado.

João Salgueiro "teve um papel particularmente importante no planeamento económico, no nascimento das regiões plano, que viria a dar origem às CCDR, na tentativa, falhada, de modernização no tempo de Marcello Caetano, no setor bancário público nos anos 70 e 80, no Ministério das Finanças, na liderança de uma das mais importantes sensibilidades dentro do PPD-PSD e, durante 50 anos, na SEDES, de que foi inspirador, presidente e figura tutelar, na transição para a a Democracia e até ao século XXI", lembra Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhando "o seu constante e sempre prospetivo contributo cívico".

O Presidente da República condecorou, em 2021, João Salgueiro com a Grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Já este sábado, o presidente da Assembleia da República lembrou João Salgueiro como uma figura que ajudou a pensar o caminho do desenvolvimento de Portugal. "João Salgueiro foi um economista e político que marcou a vida pública portuguesa do seu tempo", escreveu Augusto Santos Silva numa mensagem na sua conta da rede social Twitter.

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O presidente do PSD, Luís Montenegro, lamentou a morte do antigo ministro João Salgueiro, lembrando um homem "com invulgar inteligência" e "dedicação à causa pública".

"Em meu nome e do PPD-PSD apresento a consternação por ver partir um dos nossos, um homem com invulgar inteligência, liberdade e dedicação à causa pública", escreveu Luís Montenegro na sua conta do Twitter.

O líder social-democrata lembrou ainda que João Salgueiro "pensou e fez pensar Portugal".

Também a SEDES, Associação para o Desenvolvimento Económico e Social afirmou este sábado que foi com "profundo pesar e consternação" que recebeu a notícia do falecimento de João Salgueiro, um dos fundadores da associação.

Em comunicado, a SEDES afirma que a associação "está de luto com a morte de um dos seus fundadores e a sua alma", adiantando que, "humanista e democrata, João Salgueiro era um Patriota sempre ao serviço, tinha um sentido de missão único e uma visão de futuro, por um país mais justo e equitativo".

"Perde o país e perdemos todos, com o falecimento um dos portugueses mais brilhantes das últimas décadas, deixou-nos um Português maior, uma referência e exemplo que procuraremos sempre honrar", considera a SEDES.

Já a Associação Portuguesa de Bancos enalteceu a vida de João Salgueiro, lembrando o presidente do organismo entre 1994 e 2009, como um "ilustre economista e gestor bancário".

Numa curta nota, o organismo referiu ter sido "com enorme pesar" que tomou conhecimento da morte de João Salgueiro, apresentando as suas condolências à família.

"Ilustre economista, gestor bancário, governante e cidadão civicamente empenhado, João Salgueiro deixa uma marca indelével na sociedade portuguesa, cujo desenvolvimento sempre norteou a sua ação", pode ler-se na nota.

O ministro da Economia, António Costa Silva, por seu lado, afirmou que a morte de João Salgueiro representa "uma grande perda para o país".

"Eu penso que é um dia triste para o país, porque o doutor João Salgueiro foi um dos economistas mais brilhantes que o país já teve", disse António Costa Silva aos jornalistas em Seia, no distrito da Guarda, à margem da inauguração da 46.ª Feira do Queijo Serra da Estrela.

O ministro da Economia lembrou que João Salgueiro "participou em funções governativas, desenvolveu sempre a sua visão para o futuro da economia portuguesa", pelo que teve "uma participação ao nível cívico e ao nível governativo que é muito apreciada".

"É uma grande perda para o país. Temos que superar isso e continuar todo o esforço que estamos a fazer para transformar a economia portuguesa e prepará-la melhor para o futuro", concluiu António Costa Silva.

João Maurício Fernandes Salgueiro nasceu em Braga a 04 de setembro de 1934 e licenciou-se em Economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa.

Presidiu à Juventude Católica Portuguesa e participou na fundação da Sedes em 1970, tendo sido presidente da Assembleia Geral desta associação cívica.

Em 1969 foi nomeado subsecretário de Estado do Planeamento no Governo liderado por Marcello Caetano e ocupou o cargo até 1971.

Após a revolução do 25 de Abril aderiu ao PSD e entre agosto de 1974 e março de 1975 foi vice-governador do Banco de Portugal.

No VIII Governo Constitucional (1981-1983), uma coligação que englobava o PSD, o CDS e o PPM, liderada por Pinto Balsemão, João Salgueiro ocupou o cargo de ministro de Estado e das Finanças. Depois exerceu ainda funções de deputado e foi presidente da Comissão de Economia e Finanças da Assembleia da República.

No XII congresso do PSD, realizado em maio de 1985 na Figueira da Foz, foi candidato à liderança do partido, mas viria a surgir um outro candidato que saiu vencedor, Aníbal Cavaco Silva.

João Salgueiro exerceu funções docentes ligadas à economia e à gestão bancária e ocupou diversos cargos na banca, tendo sido Presidente do Conselho de Administração do Banco Nacional Ultramarino e da Caixa Geral de Depósitos, de onde saiu em 2000, justificando que não estavam asseguradas "as orientações estratégicas" que o tinham levado a aceitar o cargo quatro anos antes.

Nesse ano, assumiu a presidência da Associação Portuguesa de Bancos, após alterações aos estatutos que permitiram que o líder não fosse um banqueiro, e foi ainda vice-presidente do Conselho Económico e Social.

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