Opresidente da Câmara do Porto revelou ontem que a autarquia vai avançar com uma providência cautelar para travar a descentralização nas áreas da educação e da saúde que, a partir de 1 de abril, passam obrigatoriamente para a esfera das autarquias. ."Hoje mesmo [ontem] vamos entrar com uma ação em tribunal, uma providência cautelar junto do Supremo Tribunal Administrativo. E não me digam que estamos a judicializar as coisas, porque, de facto, acho que esgotei a minha capacidade política. Aquilo que vejo é que, pela via política, o assunto se esgotou", afirmou o independente que lidera a autarquia portuense, e que abandonou a reunião entre os autarcas da Área Metropolitana do Porto (AMP) e a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) antes desta terminar..À saída da reunião, Rui Moreira considerou que se está perante "uma trapaça" que tem "um objetivo político" que foi traçado na altura, no acordo que foi feito entre o PS e o PSD de Rui Rio. "Quando o cidadão, não propriamente o do Porto - porque tem capacidade de endividamento - mas o de Arganil, perceber que com a descentralização a escola passou a funcionar pior ou que não há dinheiro para pagar os vencimentos dos funcionários que foram transferidos, vão dizer: "bom era no tempo do Estado Central"", referiu o autarca, acrescentando que "então não vão querer a regionalização"..Rui Moreira, que desde o início foi muito crítico do processo de descentralização, garante que esta posição "não é nenhuma teimosia": "Se for gastar com a descentralização mais 17 milhões de euros por ano - num orçamento que bem sei que é de 400 milhões - tenho de fazer duas coisas: ou aumento o imposto aos meus munícipes, ou reduzo o investimento ou apoio aos sem-abrigo, ou às escolas. O dinheiro não é elástico"..Crítico da posição assumida pela Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) durante todo processo de descentralização, Rui Moreira disse temer que, com a saída da ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, "que era quem mostrava mais sensibilidade", "agora vá ser como no tempo da velha senhora", em que aos municípios cabe obedecer.."O que me preocupa é que haja uma Associação Nacional de Municípios que seja cúmplice do Estado Central e depois nos digam que estão a descentralizar e que nos digam que querem regionalizar", declarou à saída da reunião que decorreu na sede da AMP, no Porto.