Modo de "partilhar opinião sobre leituras"

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Pedro Rosa Mendes foi, ontem, o escritor convidado da Comunidade de Leitores Almedina (ver caixa na página anterior). Depois de, há 15 dias, o grupo ter começado a abordar o seu romance Baía dos Tigres, o autor - que deu a conhecer material áudio e visual da travessia africana na base do livro - revelou também um pouco o seu imaginário, alimentado por leituras como as dos romances O Céu que nos Protege de Paul Bowles e Coração das Trevas de Joseph Conrad, ou do ensaio de Sven Lindqvist Exterminem Todas as Bestas. O modelo desta comunidade, centrada em autores portugueses vivos - que deu os primeiros passos no dia 8, na Livraria Almedina do Atrium Saldanha -, foi proposto por Filipa Melo depois de liderar, ali, um longo e bem sucedido ciclo de debates sobre comunicação.

Jornalista free lancer e escritora (publicou o romance Este É o Meu Corpo e tem um livro de contos a sair até final do ano), Filipa Melo explica ao DN que lhe interessou privilegiar "o autor como tal, como interlocutor e como leitor", aproveitando a disponibilidade dos escritores "para contactos com o público, fora dos lançamentos, já no rescaldo da recepção crítica e de vendas, proporcionando a comunicação em comunidade, livre daquelas mediações, num mercado entupido, que faz os livros terem vida curta nas livrarias". Nesta está previsto um "brinde" à comunidade, no final do semestre, com um autor estrangeiro convidado.

Quanto a inscrições, gratuitas, "o vínculo à comunidade é o que cada um quiser, mas é importante ter lido o livro de que se trata, para partilhar", salienta Filipa Melo. Na primeira sessão, a animadora apresentou-se às participantes: cerca de uma dúzia e apenas um homem, jornalista; sobretudo professoras mas não só de letras, activas e na reforma. Fez breve historial destas comunidades, leu partes do panfleto de Julien Gracq A Literatura no Estômago e sugeriu adopção de regras, definidas como direitos dos leitores por Daniel Pennac (Como um Romance).

Seguiu-se apresentação da comunidade, intercalada com leitura e comentários de excertos de Baía dos Tigres. Entre motivos para aderir à comunidade, ouviu-se falar, por exemplo, de "curiosidade", de "procurar partilhar opiniões mais aprofundadas sobre leituras", de "vício da análise de texto". Foram citadas obras preferidas e comunicados hábitos de leitura, desde duas horas diárias ao acordar, até ao prolongamento pela noite; da leitura de vários livros em simultâneo ou só à vez.

No rescaldo, Filipa destacava-nos "a disponibilidade" com que as pessoas contavam as suas experiências, encantada por tê-las ouvido entrar em diálogo. As próximas sessões (intervalo em Abril) têm o seguinte calendário: 3 de Maio, com o romance de Lídia Jorge O Vento Assobiando nas Gruas; 31 de Maio, com esta autora, também enquanto leitora dos romances A Taberna da Índia de Antonio Sarabia, As Rosas de Atacama de Luis Sepúlveda e O Deus das Pequenas Coisas de Arundathi Roy; em Junho, o livro para dia 7 é O Profeta do Castigo Divino de Pedro Almeida Vieira, que comparece a 28, para falar ainda dos títulos que elegeu - O Mal no Pensamento Moderno de Susan Neiman, Perfil do Marquês de Pombal de Camilo Castelo Branco e O Nome da Rosa de Umberto Eco. EF