O governante explicou que se trata de um dos maiores investimentos nestas áreas e nos últimos anos, superior a dois milhões de euros, com a contratação de três brigadas florestais, num total de 15 pessoas, e a aquisição de viaturas para, durante três anos, recuperarem 'habitats' e ajudar a combater e prevenir fogos florestais..O presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias, aproveitou a cerimónia para lembrar a ausência de gestão local dos parques e como as restrições "têm afetado as populações" que "veem coartada a possibilidade de desenvolvimento", concretamente no Parque Natural de Montesinho, um dos mais antigos do país, com 39 anos..O ministro reconheceu a legitimidade das críticas e que as condições dos próprios parques "muitas vezes se foram degradando por ausência da atividade humana", uma realidade que disse querer combater, nomeadamente com os projetos-piloto apresentados hoje em Bragança..Durante três anos, estão previstos investimentos de 1,3 milhões de euros em Montesinho e 900 mil euros no Douro Internacional para concretizar projetos "que são da maior importância para tornar este território resistente ao fogo", segundo o ministro.."Estamos também a introduzir aqui meios humanos e técnicos para combater, num primeiro momento, e sobretudo para preparar este território para que não haja fogo e estamos a fazê-lo reconduzindo, reconstruindo, repondo aquilo que são os ecossistemas iniciais", indicou..O governante concretizou que vão ser recuperadas "centenas de hectares de áreas que arderam, nomeadamente no Parque Natural do Douro Internacional, no ano passado", serão também repostos "os hectares dos bosques autóctones, os 'habitats' do Lobo Ibérico em Montesinho".."Estamos a ajudar a ir ao encontro daquilo que é o desenvolvimento natural destes territórios e dessa forma certamente termos ecossistemas que são muito mais resilientes ao fogo porque muito mais adaptados a estes territórios específicos", continuou..Além dos recursos envolvidos nestes projetos, estas duas áreas protegidas foram reforçadas com mais vigilantes da natureza no âmbito do recrutamento nacional que juntou 75 profissionais aos 123 que já existiam..Destes 75, cinco foram para o Douro Internacional, que passa de três para oito, e dois para Montesinho, que passa de sete para nove vigilantes..O ministro ouviu o presidente da Câmara de Bragança, o social-democrata Hernâni Dias, reiterar a oposição e críticas ao plano de ordenamento, nomeadamente de Montesinho e a destacar que os constrangimentos ambientais "têm afetado de forma muito vincada aquilo que é a atividade das populações nestes meios"..O autarca lembrou que "a perda de população nos parques naturais é o dobro daquela que acontece no resto do território" e deu um exemplo das restrições de que se queixa e que têm resultados em coimas aplicadas aos próprios municípios ou, como a mais recente, a uma corrida organizada pelos vizinhos espanhóis da deputacion de Zamora, no verão passado..A esta última, o ministro respondeu apenas que "num dia de risco máximo de incêndio havia uma atividade que teve de ser cancelada e que os seus promotores não cancelaram"..Sobre o plano de ordenamento, o governante explicou que "vão deixar de ser planos e passar a ser programas porque a lei mudou" e "as regras de edificação e tudo o que são autorizações quando este programa estiver concluído passam a ser das autarquias"..O ministro só não sabe ainda quando entrarão em vigor os novos programas de gestão dos parques, num total de 15 em todo o país, alegando que "é um trabalho demorado e, sobretudo que procura um consenso"..Matos Fernandes reconheceu que "aquele que foi a ausência de investimento e a ausência de pessoas ao longo de alguns anos, e nomeadamente anteriores a este Governo, conduziu a que muitas destas queixas sejam legítimas".."Mas nós temos uma vontade muito grande de partilhar a gestão destes espaços, de trabalhar em conjunto", afirmou.