No dia 1 de Outubro, a Moviflor decidiu fechar as lojas sem pagar a credores ou trabalhadores. A administração alegou, por carta, que o fecho das lojas se justificava por "não se terem reunido as condições mínimas consagradas no Processo Especial de Revitalização (PER)", que decorria há quase um ano, desde dezembro de 2013..Nessa altura, o Sindicato do Comércio e Serviços de Portugal (Cesp) avançou com uma queixa junto das autoridades, noticia hoje o jornal Público, que cita fonte da Procuradoria-Geral da República dizendo que "a denúncia foi remetida ao departamento do Ministério Público competente, onde foi instaurado um inquérito, o qual se encontra em investigação".."Estranhamente, abre uma loja no mesmo local onde havia uma loja da Moviflor", disse ao Público Célia Lopes, responsável do Cesp, que aguarda seguimento da queixa formalizada. Foi no fim-de-semana passado: na antiga loja da Moviflor na Bobadela, concelho de Loures, abriu uma nova loja de mobiliário, com um novo nome e, aparentemente, sem qualquer ligação à empresa. .Só que a legitimidade do estabelecimento comercial está a causar dúvidas: os funcionários da antiga Moviflor garantem que a nova loja vende móveis que pertenciam à empresa portuguesa. Lídia Oliveira, uma das funcionárias despedidas no seguimento do despedimento coletivo do passado mês de fevereiro - medida prevista no PER - disse ao Público: "como credores, temos o direito a ser informados sobre como apareceu o material da Moviflor nesta loja, numa empresa que parece não ter nada a ver com a Moviflor, mas cujo dono é o mesmo"..Afinal, o estabelecimento, que agora se chama Outlet de Móveis, pertence à IFC, International Furniture Company, segundo informação afixada na loja. O Público consultou o registo no Ministério da Justiça e apurou que a IFC foi criada a 18 de julho deste ano e tinha como administrador André Teixeira, que a 8 de agosto renuncia ao cargo. Para o seu lugar, entra Carlos Alberto Jesus Ribeiro, que até ao dia 4 de agosto era o administrador único da Moviflor SGPS, holding que atualmente detém 75% da Moviflor Angola..O Público tentou obter explicações da parte do Outlet dos Móveis, que negou qualquer ligação à Moviflor, sem fazer mais esclarecimentos. .Só este ano, e apesar do PER, a empresa já foi alvo de oito pedidos de insolvência, devido às dívidas que deixou a fornecedores, pelo não pagamento dos salários aos trabalhadores e por não ter pago, sequer, as indemnizações do despedimento coletivo que fez ao abrigo do PER. .A 13 de outubro, a Moviflor alterou a sua denominação para Albará - já se chamara Moviflor 7 - e mantém duas participações minoritárias no negócio em Angola e em Moçambique, que não estão incluídas no PER. A empresa foi fundada por Catarina Remígio, que agora é dona da Albará, SA e tem ligações à Sofatinni e à sociedade imobiliária Finglobo.