Ministério Público contabilizou 183 crimes de corrupção no futebol

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No processo "Apito Dourado" estão em causa cerca de 188 crimes de corrupção, corrupção desportiva e prevaricação (cinco) que se estendem por 27 arguidos, 13 dos quais são árbitros. A acusação do Ministério Público, segundo dados recolhidos pelo DN, diz respeito a 26 jogos da II Divisão B na época 2002/2003. José Luís Oliveira, ex-presidente do Gondomar SC, deverá ser o arguido com maior número de acusações 26 crimes de corrupção activa e 21 crimes de corrupção desportiva activa. Valentim Loureiro não será directamente acusado de corrupção, mas os 26 crimes imputados são na forma de cumplicidade.

Ao que o DN apurou, o despacho de acusação do procurador Carlos Teixeira, do Ministério Público de Gondomar, deverá incidir sobre a relação causa-efeito entre a escolha de árbitros e o resultado final dos jogos do Gondomar SC. Tal como o DN tinha já revelado (ver edição de 27 de Maio de 2005), as escutas telefónicas antes e depois dos jogos foram um importante auxiliar para se perceber todo o alegado esquema de corrupção na II Divisão B.

No centro do processo estarão, além dos árbitros, os antigos dirigentes do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (CAFPF) Pinto de Sousa, Luís Nunes e Francisco Costa e José Luís Oliveira e Joaquim Castro Neves, ex--dirigente do Gondomar SC. Aliás, Pinto de Sousa deverá ser acusado da prática de 26 crimes de corrupção passiva para acto ilícito, isto é, para nomeações de árbitros contrárias aos regulamentos.

As alegadas ofertas de ouro aos árbitros deverão resultar numa acusação de 19 crimes de corrupção desportiva activa a Joaquim Castro Neves. Francisco Costa deverá ser acusado de 26 crimes de corrupção passiva para acto ilícito, sob a forma de cumplicidade. A este arguido deverá ser assacada a responsabi- lidade de cumprir ordens do presidente do CAFPF, Pinto de Sousa.

Além do despacho de acusação, serão extraídas 81 certidões que dizem respeito a eventuais crimes praticados fora da área jurisdicional da comarca de Gondomar. Tal como o DN, adiantou ontem, em Julho de 2004 o procurador Carlos Teixeira deu conta a Souto Moura desta situação. Mas o procurador-geral da República não quis que o processo fosse avocado pelo DCIAP.

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