"Os guardas costeiros líbios fazem o melhor que podem com os meios limitados que têm, mas pensar que podem salvar todos (os migrantes no mar) acho que é difícil", declarou o representante do ACNUR na Líbia, Roberto Mignone, durante um encontro com a imprensa estrangeira realizado hoje em Roma (Itália)..Perante tal cenário, Mignone referiu a importância "de manter a presença de atores que podem ajudar as embarcações" em perigo no mar Mediterrâneo, uma rota que nos últimos anos se tornou uma das principais portas de entrada para a Europa para milhares de migrantes, mas também que se transformou num cenário de tragédias humanitárias.."O papel desempenhado pelas ONG é fundamental para salvar vidas", salientou o representante do ACNUR na Líbia..O trabalho das ONG na rota do Mediterrâneo central (utilizada pelos fluxos migratórios provenientes do norte de África e do Médio Oriente, com passagem pela Líbia e com destino a Itália e Malta) tem estado condicionado por causa da recusa das autoridades de Roma e de La Valetta em abrir os respetivos portos para o desembarque de migrantes resgatados em alto mar..Ainda na capital italiana, a porta-voz do ACNUR no sul de Itália, Carlotta Sami, também alertou hoje para o "número dramático" de mortes no Mediterrâneo, reforçando o apelo para que as autoridades deixem as ONG realizar operações de resgate.."A ausência (das ONG) está a ter impacto em vidas humanas", afirmou a porta-voz, realçando que os números são cada vez mais alarmantes..Em 2017, uma em cada 38 pessoas morria no mar, enquanto no ano corrente a situação evoluiu dramaticamente sendo já uma em cada sete pessoas.