Alinha do Metro Sul do Tejo (MST) para ligar Corroios à Cova da Piedade "ficará concluída até ao final do ano", garante o presidente da concessionária MST, José Luís Brandão, fazendo prever que o metro de superfície comece a funcionar antes de toda a obra estar pronta. No fundo, confirma o que já havia sido admitido pela secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, até porque a totalidade da rede só deverá ficar concluída em "Dezembro de 2007", anuncia o presidente da Comissão Parlamentar de Obras Públicas, Miguel Relvas. No entanto, e apesar dessa previsão, "ainda não há data marcada para o início das obras que vão estabelecer a ligação entre Almada e Cacilhas", esclareceu José Luís Brandão..O que impede as obras do metro de avançarem até Cacilhas é a não cedência de terrenos por parte da Câmara de Almada, mas a presidente da autarquia, Maria Emília de Sousa, garante que o município "não tem qualquer responsabilidade" e refere ser "necessário a concessionária apresentar as plantas parcelares para que possa haver cedência de terrenos", o que ainda não se verificou..Quanto a esta questão, José Luís Brandão prefere não se pronunciar, uma vez que "estão em curso conversações com a autarquia para se encontrar uma solução". Quanto ao inquérito aberto na sexta-feira pelo Ministério Público contra o MST, sob indiciação de infracção de regras de construção e favorecimento de empresas paralelas, o presidente da concessionária diz estar "de consciência tranquila" e desafia todos para que "investiguem à vontade". E até revela já conhecer a minuta de relatório, que "iliba a concessionária", mas não adianta pormenores sobre o documento..Relativamente a esta questão, Miguel Relvas diz esperar apenas que a investigação "não seja arquivada e que chegue a uma conclusão", remetendo "à justiça o que é da justiça"..Falta fiscalização e segurança.Por seu turno, a presidente da câmara, Maria Emília de Sousa, refere que a autarquia "é um mero espectador neste processo", embora "desde o início tenha chamado a atenção para a insuficiência da fiscalização e segurança dos trabalhos"..Durante a visita ao MST efectuada ontem pela Comissão Parlamentar de Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Miguel Relvas frisou a "necessidade de se caminhar no sentido de ultrapassar a burocracia" e lembrou que, dos "266 milhões de euros que serão investidos pelo Estado, já foram disponibilizados 200 milhões", dinheiro público investido que "obriga a que haja um avançar das obras"..À concessionária cabe um investimento de "55 milhões de euros" e às autarquias do Seixal e de Almada cerca de "três milhões" para a reabilitação urbana, salienta o presidente da comissão..Também a presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal, Ana Teresa Vicente, e os deputados presentes não deixaram de lembrar a importância desta obra e da sua rápida conclusão, "não só para os habitantes da Margem Sul como para toda a Área Metropolitana de Lisboa", uma vez que "melhora as acessibilidades e a mobilidade"..O metro de superfície, que vai ligar Cacilhas, Corroios e a Universidade do Monte de Caparica, devia ter entrado em funcionamento em Dezembro de 2005, apontando-se agora para Dezembro de 2007, ou seja, precisamente com dois anos de atraso. Actualmente a linha encontra-se concluída entre o Talaminho (Seixal) e o Laranjeiro (Almada) e entre o Pragal (Almada) e o Monte de Caparica (Almada). Está interrompida entre o Laranjeiro e o Pragal, após protestos dos moradores da Ramalha, troço que está a ser reformulado..Por falta de entrega dos terrenos municipais, a ligação entre Almada e Cacilhas é a que está mais atrasada. Entretanto, decorrem novas negociações entre a concessionária, o Governo e a Câmara de Almada, que, segundo Ana Paula Vitorino, podem ficar terminadas em Junho ou Julho.